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Um problema que toma conta das cidades, sobretudo as maiores, é a questão da segurança. Quem nunca foi assaltado ou mesmo conhece alguém que passou por alguma situação de tensão? Essa noite mesmo, na cidade de Guarulhos, que é como uma cama coletiva gigante para os paulistanos, os policiais apreenderam um lançador de mísseis AT4, que estava de posse da malandragem.
Vejam bem, uma arma que se disparada contra o chão, faz um buraco daqui até a China, tamanho é seu poder de destruição.
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Se for citar casos e exemplos, vamos ficar aqui até amanhã e não vamos resolver nada, e como o tempo ruge e a Sapucaí é grande (Giovanni Improtta ™), vamos tentar mostrar um quadro sobre a violência, causas e motivos.
Norbert Elias, que é como o mestre Yoda da sociologia, entendia que a polissagem das maneiras, em outras palavras o ato de nos tornarmos civilizados não é relacionado apenas à nós mesmos, um autocontrole super zen mega budista. Mas sim, à uma generalização pelos diversos setores da sociedade.
Em resumo, tudo aquilo que entendemos como normal, absoluto e natural, desde trafegar de um lado da pista, respeitarmos os mais velhos, morarmos em casas, o consumo e mais importante, a escrita e divulgação das normas (leis) ajudou a separar as pessoas em grupos, aquele que cumpre tudo isso, e aquele que não cumpre.
Um é o cidadão padrão e comum, e o outro é o marginal, que está à margem.
Em 12 de junho de 2000 os cariocas e os brasileiros em geral acompanharam o sequestro do ônibus da linha 174 (atual 158) (Central–Gávea), onde o sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento manteve os reféns por 5 horas coisa e tal.
Só para resumir, depois de um tempo o bandido resolveu sair do ônibus com uma refém de escudo. O policial do BOPE dispara na tentativa de acertar o fulano e acaba matando a moça, os curiosos fecharam o cerco contra Sandro, que acabou sendo morto por asfixia dentro da viatura.
Terrível não é?
Mas alguém se lembra que esse mesmo Sandro foi um dos sobreviventes, em 23 de julho de 1993, da chacina da Candelária?
Nesse momento devemos citar o também mestre Yoda, da filosofia neste caso, Michel Foucault, que em seu livro Vigiar e Punir (em francês: Surveiller et Punir: Naissance de la prison), nos mostra que em nenhum momento a prisão é uma forma humanista de cumprimento de penas, pelo contrário, é a mão da sociedade utilizando-se do poder de castigar, uma vez que, segundo o mesmo, nós vemos o delinquente como uma anormalidade.
A questão é que todos nós, independente qual metade representamos neste todo, somos reféns.
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ELIAS, Norbert. La civilisation des moeurs. Paris, Presses Pocket, 1973.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: Nascimento da prisão. 36ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
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Vivemos em um clima de medo e tensão constantes.Até aquela falsa sensação de segurança já não existe mais.Eu mesmo que nunca havia sido roubado,tive minha casa invadida e objetos furtados.Pior que isso é saber que as pessoas que nos deviam prestar segurança tem “medo” de entrar em certos lugares, e deixam de nos socorrer quando mais precisamos.Você usou a palavra certa: reféns.É isso que somos, encarcerados em nosso próprio lar.
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