A doce missão de aprender com os filhos


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O tema é de fundamental importância. Como bem afirma o médico-psiquiatra Flávio Gikovate, sobre a arte de educar as crianças, “temos de ajudá-los na dificílima tarefa de se tornarem criaturas felizes e de se transformarem em pessoas preocupadas com a defesa dos seus direitos e dos das outras pessoas”. Diante disso, não podemos continuar ignorando que ao educarmos os nossos filhos, na verdade estamos crescendo e aprendendo junto com eles, ou seja, temos a oportunidade de repensar os ensinamentos que os nossos pais nos deram.

Bem, vamos por parte.

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Photo “Kobe drawing” by Marcus Kwan
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Como bem pondera o nosso psiquiatra de estimação, a tarefa é dificílima porque nós os pais temos a presunção de que sabemos tudo, pensamos possuir o poder mágico de abrir a boca e pronunciarmos palavras sábias. Doce ilusão! E quando ele fala em criaturas felizes então? Se nós vivemos no caos do dia a dia preocupados em sermos felizes (sim, é isso mesmo) e estamos a ponto de explodir com os nossos demônios, como então ensinar o caminho da felicidade a uma inocente criancinha se ainda não encontramos a nossa?

A questão é muito interessante, se pensarmos com humildade.

Não faz muito tempo em que possuíamos, quando possuíamos, apenas uma máquina de escrever. Não existia computador, Facebook, Twiter, Orkut, iPad (este aliás, uma delicia, é só deslizar o dedinho na tela)… Ao contrário dos nossos filhos, que na grande maioria, já nasceram em frente ao um computador.

Aliás, para essa geração de nativos digitais, o ontem é como se fosse a era paleozóica.

Aí invertemos as informações, nós pais, com mais de 40 anos, passamos a usar o computador e queremos saber tudo, afinal não somos os educadores? Que lástima, um vexame, chamamos as pobres criaturinhas a todo instante com a velha autoridade que persiste em continuar… “Sumiu a barra de ferramentas” “Onde encontro todos os programas” “Onde formato o texto” “Onde faço o desenho” “Power point?! O que é isto?”

Viram, não precisou muito para ver que as pestezinhas sabem muito mais que nós em matéria de informática?

Nós temos que correr atrás do prejuízo. Parafraseando Freud, “não temos de optar entre a razão e sentimentos, mas sim aceitar ambos e aprender a discernir, a ponderar diante de cada situação que a vida nos oferece”. De educadores a aprendizes, reciclar os nossos velhos conceitos, é o nosso dever de orientá-los, ensinar os seus direitos, deveres, não com mutretas, trapaças, mas com lealdade e clareza.

Admitir que ao ensiná-los também reciclamos os nossos conceitos, atitudes e valores na escola da vida.

Afinal, somos apenas coadjuvantes na vida e na formação educacional dos nossos filhos, que no futuro serão homens e mulheres exercendo o mesmo papel que um dia foi nosso.

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