A história me absolverá


Há alguns anos no Brasil, ou você era a favor do governo, ou você era de esquerda. Existia uma definição muito clara do que de fato significava estar em um desses lados, que acabou se perdendo no tempo, por mais que muita gente teima em seguir essa cartilha.

Para entendermos esse conceito (ou a perda dele), é preciso ter em mente a defesa que a historiografia faz dos pensamentos revolucionários, separando aquilo que é teórico, e daquilo que é histórico.

Em outras palavras, no papel é tudo lindo e maravilhoso. E de fato é mesmo.

O que ocorre em termos práticos é que aquele grupo que dá o golpe de estado prende e isola seus carrascos, e coisas do tipo, acaba impondo sua vontade além de alimentar suas necessidades imediatas.

Com o tempo, sabemos que essas necessidades nunca acabam, pelo contrário.

Fidel Castro, com o seu discurso de “a história me absolverá” realmente conseguiu libertar Cuba de ser um retiro dos artistas americano. No final, ele próprio se tornou juiz, júri e executor de seu povo (A Yoani que o diga).

Por la razón o la fuerza, o que isso tem a ver?

Quem não vive ou se interessa por política, principalmente as gerações seguintes, são obrigados a aceitar que “o rei está morto, viva o rei” uma vez que nem sempre são ouvidos ou acabam ficando de fora da brincadeira. É o que Orwell chamou de partido interno e partido externo.

Em outras palavras, a divisão de classes continua. Só ela é necessária para a manutenção do poder. Junto com a propaganda institucional, as pessoas se esquecem de suas vidas privadas.

Por isso mesmo é ótimo quando as pessoas são ouvidas, como nas eleições presidenciais do Chile.

A vitória da “Coalizão pela Mudança”, após décadas de domínio esquerdista representa um basta contra os aventureiros e desavisados.

Hoje, como o presidente eleito do Chile, Sebastian Piñera afirmou “não existe mais esquerda e direita na América Latina, mas os que estão na direção certa e os que estão cometendo erros sequenciais”.

Já no Brasil, a sensação é que o navio horas vai para lá… oras vai para cá…

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