A impressionante onda, de tartaruga


Acabei de comprar uma tesoura projetada especialmente para canhotos, para quem não sabe, eu sou um deles.

Fazendo uma comparação com os hackers, que adoram invadir sistemas, roubar senhas e plantar a semente do caos e da destruição, os designers projetam novos produtos com o objetivo de atender a maior quantidade de pessoas possível; E isso exclui não só os canhotos, como os portadores de deficiência, daltônicos, e qualquer um que não seja como um Microsoft Windows[bb].

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No meu caso, é relativamente fácil se adaptar e estudar em carteiras universitárias com o apoio do braço do lado direito, ou se contorcer para abrir uma lata com o abridor de cabeça pra baixo e coisas do tipo. Mas não é tão simples assim quando olhamos para a cidade.

Nosso espaço urbano, em geral, não foi feito para as pessoas, mas sim para os carros, especialmente aqueles da primeira metade do século passado (em quantidade e em qualidade).

Todo mundo já deve ter visto nas calçadas, aquelas placas coloridas com o piso diferenciado, não? Elas não estão ali como decoração, mas para guiar o deficiente visual por aí, já que ele “vê” através da sensação passada por sua bengala.

Por isso que existem padrões diferentes de piso tátil. Um para cada finalidade.

O que dizer então das dezenas de cadeirantes que moram aqui? Quando existe o rebaixamento do piso, o que é raro, geralmente tem um carro estacionado na mesma direção. Ou pior, como na imagem que ilustra este texto.

Lembro bem quando estive na Câmara Municipal, no Palácio Anchieta, e em dado momento me transformei em Goku, e soltei o Kamehameha[bb] (かめはめ波):

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“Não é pessoa que precisa se adaptar à cidade, mas a cidade é quem precisa se adaptar à pessoa”

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Obrigado, obrigado, eu sei…

Só que de extraordinária, essa afirmação não tem nada, afinal de contas, dar as mesmas condições de vida para todas as pessoas em todos os momentos deveria ser algo cotidiano e que as pessoas não precisassem lutar por isso.

É por isso que a vereadora Mara Gabrilli tem o meu respeito.

PS: a tesoura chega na quinta-feira.

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