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A noite deixou de ser escura!

Comentários do Sr. RobertNaja, para o site Blitz, sobre o álbum Dark Was The Night, escrito em 07 de Março de 2009

A noite deixou de ser escura!

“Peço desculpa por fazer isto, mas vou fazer na mesma, que é repetir o meu comentário em dois artigos diferentes.

Mas a verdade é que quando comentei o outro, não vi que já existia esta mini-review no site a “Dark Was the Night” e recuso-me a ver este artigo sem quaisquer comentários. Por isso, cá vai:

Normalmente associamos os discos de solidariedade a uma espécie de “biscate artístico” dos músicos: compilações cujas canções são quase enfiadas a martelo e onde existe sempre aquela música do “vamos todos juntos gravar uma canção!”. No fundo, o conceito do “Live Aid” acabou por se tornar um cliché…

Mas eis que chega “Dark Was the Night”. Em que é que se distingue? Além do lote de músicos absolutamente fantástico, distingue-se pela seriedade com que é feito. Não há cá músicas para encher chouriços nem “ajudem os pobrezinhos”. Há sim um conjuntos de músicos e bandas que se reuniram e fizeram uma série de canções absolutamente fantásticas.

Favoritas? Muitas, felizmente.

O groove rock dos Spoon em “Well-Alright”.
Os Arcade Fire mais políticos que nunca em “Lenin”.
My Brightest Diamond numa versão épica de “Feeling Good” de Nina Simone.
Uma secção de sopros a acompanhar os The National de volta em “So Far Around the Bend”.
A absolutamente emocionante “Big red Machine” com os acordes fantásticos de Dessner e a arrepiante voz de Justin Vernon (aka Bon Iver).
Cat Power em formato blues em “Amazing Grace”
Antony a tornar sua a música de Dylan “I Was Young When I Left You”, acompanhado pelo outro irmão Dessner.
Sufjan Stevens inconfundível em “You Are the Blood”.
Sete minutos de Decemberists em “Sleepless”.
A agridoce voz de Feist em “Service Bell”.

E tantas, tantas outras!!!

Este é claramente um disco raro nos dias que correm. Parece existir procura sem publicidade nenhuma. Pelo menos, até agora, as únicas referências que ouvi a este álbum em Portugal foi na Radar e aquele mini-artigo na Blitz. Aproveito e faço off-topic: estou-me a borrifar que vocês metam as notícias que quiserem no fórum. Mas ao menos na revista pela qual pago 2,5€, não era má ideia desenvolverem um texto maior sobre um disco ao qual atribuem 5 estrelas. Provavelmente o álbum da Lily Allen não mereceria aquele destaque todo…Mas voltando ao que interessa:
Se existe procura, é porque isto é realmente um “dream-team” não apenas do indie, mas da música que se fez durante a década de 00. Alguns dos álbuns mais bem feitos nesta década foram feitos por pessoas que participam neste álbum!

Muita gente tem perguntado: “o que é que simboliza a década de 00″? Ou “o que é caracteriza esta década?”.

Eu afirmo aqui: se tiver que mostrar a alguém como era a música em 00, pegarei neste álbum e direi que ele é um símbolo da boa música que se fez esta década!!

E no fundo este álbum acaba por conseguir cumprir dois objectivos:

- alertar e ajudar se combater um dos flagelos deste e do passado século;
- servir como símbolo duma geração de músicos geniais.

A noite era realmente escura, mas este álbum iluminou-a!!!”

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Carlos Filho

Paulistano, há 29 anos estragando o mundo. Administrador de empresas por formação, Sociólogo e crítico do cotidiano por opção. Eu consigo viajar no tempo, mas só quando não tem ninguém olhando.

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