Hoje resolvi aceitar um antigo desafio: escrever sobre a USP. E era um desafio porque passo a maior parte do meu tempo no ambiente da maior e mais importante Universidade do país e muitas vezes não é muito fácil falar sobre ela.
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Calouros da turma de 2008. Foto de Jorge Tung e Débora Ribeiro.
Sim, a foto é uma ironia.
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Primeiro gostaria de falar sobre o título deste artigo. Ele não é de minha autoria, mas é uma das falas do pessoal do Sindicato. Defendem uma universidade pública, gratuita e de qualidade. A frase virou até piada, dizendo ser impossível unir as três coisas. Ou é pública e gratuita, ou é de qualidade. E nas diversas outras variações possíveis.
Ingressei na USP no final de 2001 e perdi a conta do número de greves que enfrentei, nunca com entusiasmo. Também enfrentei os problemas que mais afetam a universidade. Sem comida boa e barata, ônibus gratuito e muitas vezes sem um local para correr, jogar, nadar ou simplesmente deitar na grama e relaxar um pouco. Sem falar no fechamento dos locais de estudos e bibliotecas. Tremendo prejuízo encontrar uma biblioteca fechada.
Das várias descobertas que fiz na USP, talvez a principal delas seja: a USP é um excelente lugar para se passar o dia, exceto se você tiver que trabalhar durante esse dia. Isso porque existem duas USP: Ensino e Pesquisa e Órgão Público.
Como um lugar de ensino e pesquisa é de fato um sonho para aqueles que podem utilizar sua estrutura. Bibliotecas recheadas, pesquisas de ponta, excelentes laboratórios e professores e muito mais. É de fato um excelente centro acadêmico. E a USP seria muito maior se 85% de seu orçamento não fosse para pagar pessoal. Mas por isso devem demitir? Não! Devem apenas se organizar. Parem de abrir concursos públicos e redistribuam os servidores. Tem gente dando trombada nos corredores da Universidade. Eu mesmo toparia trabalhar em outra Unidade, se fosse o caso.
Como órgão público, o que tenho a dizer? Prestamos um péssimo atendimento à comunidade USP, o que dirá sobre as pessoas sem vínculo. Burocracia passou ali e ficou. Pessoal despreparado e sem incentivo a melhorar seu desempenho. Não há cursos, não há disponibilidade para o estudo. Nada. Os que trabalham na USP têm que estudar em universidades particulares e pagar integralmente seus cursos. Não há subsídios e nem um tipo de incentivo. Enquanto isso, vagas sobram nas diversas faculdades da instituição. Somos uma repartição pública genuína. Aquela que geralmente e na hora em que mais precisamos, nos deixa na mão. A maioria dos chefes são despreparados e os funcionários aproveitam disso e ganham rapidamente a alcunha de “folgados”.
No geral, ainda não houve administrador capaz de conduzir as greves da Universidade, que estão inseridas no calendário anual. E não pense que é por causa da copa. Teve greve ano passado, retrasado, re-retrasado…
Em 2007 invadiram o prédio da Reitoria e roubaram vários computadores portáteis e monitores de LCD
. Roubaram sim! Este ano invadiram de novo. Vão roubar de novo. Serei o primeiro a denunciar esses vagabundos. Muitos funcionários e alunos aproveitam. Não que o sindicato só tenha pessoas dessa laia, mas elas são no mínimo, ingênuas. E o Reitor tem razão quando chama alguns de “mercenários”. Ele não se refere aos funcionários em si, mas aos desocupados que o sindicato contrata para “engrossar o caldo” da greve.
Eu não faço ideia de quando essa greve vai acabar, mas certamente já passou da hora e muitas das vezes eu acredito que já estamos inseridos na tal programação de greve. É fácil ouvir que “todo ano tem greve”. Estamos conformados e parece que não nos incomoda mais. No entanto, tem algo que preocupa: tirando a questão salarial, muitas das reivindicações (algumas absurdas, devo frisar) estão na pauta há anos. Será tão difícil assim tentar resolver algumas delas?
Por fim, não posso deixar de declarar minha posição contrária à greve. Uma greve que infringe um único direito constitucional de qualquer parte que seja, já está errada e portanto sou contra.
Em relação ao corte dos salários dos funcionários, minha posição dentro da Universidade me impede de compartilhá-la com o nobre leitor, mas que fique registrado que tenho uma opinião muito clara sobre isso.
Para o contribuinte gostaria de dizer que estou diariamente na Universidade, trabalhando em um local alternativo (chamo de No Man’s Land, em alusão às trincheiras da Primeira Guerra) e tentando – na medida do possível – manter minhas atividades normais, mas nada substitui minha “estação de trabalho”, a qual estou impossibilitado de acessar.
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Oi Alexandre, ao te encontrar por aqui tive aquela sensação de q o mundo é pequeno, mesmo o mundo virtual
Bem, achei seu artigo interessante; evidentemente, como você deve imaginar, há vários aspectos dos quais discordo (assim como há outros que concordo) – não porque acho que estejam equivocados ou errados, apenas porque entendo que seria interessante debatê-los e contextualizá-los com a profundidade necessária para expor a complexidade e as contradições do que vivemos ali.
Mas compreendo o quanto isso é difícil por várias razões e acho que você mesmo anunciou isso quando disse que era um desafio falar sobre a USP.
Recentemente, fiz no meu blog uma reflexão sobre o movimento grevista sob uma outra óptica. Se quiser dar uma olhada, saiba q aprecio bastante partilhar opiniões diferentes e divergentes das minhas. abraços, Jany – http://www.poucoacucaremuitosal.blogspot.com