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Admirável Mundo Novo

Hoje no último artigo da série sobre os 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, vamos fazer um exercício mental. Vamos imaginar como será o futuro de nossas crianças a partir do que entendemos sobre essa lei e o que esperamos dela.

Antes de tudo, vamos imaginar tudo isso de duas formas, uma previsão considerando que tudo vai continuar da mesma forma, e outra, com tudo aquilo que gostaríamos que acontecesse.

Admirável Mundo Novo

Na primeira hipótese, logo de início podemos supor que o passar dos anos fez com que o ECA caísse no esquecimento, já que não acompanhou as inovações da sociedade, e principalmente tecnológicas, passou a ser um texto meramente histórico.

Claro que outros mecanismos de controle seriam criados, na medida em que os processos judiciais fossem acontecendo, e a partir daí as súmulas e as jurisprudências tomariam ainda mais relevância.

De um lado, os menores em geral se obrigariam a buscar seus direitos, uma vez que é possível que seus pais e responsáveis os explorassem ainda mais, e provavelmente aquela fase conhecida como infância desapareceria. Quem leu ou assistiu a obra “Admirável Mundo Novo[bb]” do escritor inglês Aldous Huxley[bb] já deve ter percebido minha inspiração.

Nessa obra, publicada originalmente em 1932, o autor narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. A sociedade desse “futuro” criado por Huxley não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais chamada “soma”. As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe.

Como observação pessoal posso incluir que essa droga, a “soma” é uma metáfora que pode representar o sensacionalismo da mídia, internet e computadores em geral, baladas ou qualquer coisa que funcione como uma espécie de fuga da realidade.

Deixo-os alguns minutos para processarem toda essa informação e o que ela representa…

Mais um pouco…

Quase…

Pronto!

Voltando…

Podemos imaginar também um futuro onde as pessoas entenderiam que o processo social e legal é parte de suas vidas e está relacionado diretamente às suas realidades.

Isso significa que qualquer que seja a regra social da época, nós participaríamos das decisões e até mesmo do que seria indicado para regulamentação.

Suponho que as leis, até mesmo os governos eleitos seriam irrelevantes, já que a vida humana seria simplificada ao máximo. Nesse caso, o ser humano evoluído seria aquele que compreendesse que o mal está unicamente dentro de si mesmo.

A História nos mostrará qual futuro é mais tangível.

Nessa semana totalmente dedicada aos 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, nós falamos sobre as motivações da lei, assinamos as caravelas com seus efeitos colaterais, e discutimos um pouco sobre a responsabilidade dos pais pela educação de seus filhos.

Espero que tenham curtido, eu curti. Pronto para a próxima!

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Carlos Filho

Paulistano, há 29 anos estragando o mundo. Administrador de empresas por formação, Sociólogo e crítico do cotidiano por opção. Eu consigo viajar no tempo, mas só quando não tem ninguém olhando.

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