O mês de janeiro passou, não deu para ganhar o posto de mais chuvoso da história – faltou 0,1 mm ou dois copinhos daqueles de café para sermos medalha de ouro – mas ainda assim deverá ser lembrado por muitos anos.
Principalmente para os moradores das regiões mais afetadas, do Jardim Romano, Chácara Três Meninas, Vila das Flores, Jardim São Martinho, Vila Aimoré e Vila Itaim, na zona leste da capital que, desde 8 de dezembro, não guardam nenhuma lembrança do passado, e creem que o mundo surgiu num grande dilúvio.
Mas antes de culparmos o aquecimento global por isso, vale lembrar somos nós os responsáveis pelos dois únicos motivos – realmente válidos – para que calamidades deste tamanho aconteçam:
1) 35 mil litros de esgoto por segundo são jogados no rio Tietê, sem contar os carros roubados, sofás, entulhos da construção civil, e o corpo morto do Santino “Sonny” Corleone, claro.
2) Construção irregular, invasões e similares de todo o tipo em áreas de risco e manancial.
Entendemos que não adianta apenas jogar a responsabilidade para as autoridades, sobretudo ao prefeito Kassab, mesmo que a drenagem dos esgotos já deveria ter sido feita, e não daqui há 30 dias, como determinou a 4ª Vara da Fazenda Pública, e só depois da ordem da Defensoria Pública do Estado.
Baseado no princípio de respeito à dignidade humana e cidadania, é de se supor que não deveria sequer existir um bairro ali, e mesmo que sua construção não tenha se dado de maneira irregular, é válido sim questionar a autoridade pública pela expedição do alvará de construção e da certidão do habite-se, que é um documento que atesta que o imóvel foi construído seguindo-se as exigências (legislação local) estabelecidas pela prefeitura para a aprovação de projetos.
O que não é válido, de nenhum modo, é dizer que a prefeitura é totalmente responsável pelas dificuldades vividas pelo moradores, tanto neste caso, como outros.
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