Alagoas: as lagoas


O Estado que agora sofre com as chuvas e recebe a solidariedade de todos os brasileiros é objeto de nossas observações, na série “Viagem pelos Estados“.

O maior produtor de cana de açúcar do Nordeste contribui com apenas 0,7% do PIB e tem no setor de serviços, principalmente o turismo, sua maior fonte de renda, respondendo por 65,9% da economia.

Sua capital, Maceió, é o destino preferido dos turistas. Outro passeio de destaque é a visita à foz do Rio São Francisco, no vilarejo de Piaçabuçu.

Historicamente, fazia parte da capitania de Pernambuco, e foi um dos mais importantes centros de resistência dos negros à escravidão com o Quilombo dos Palmares.

Alagoas tem em seu filho mais ilustre, nada mais nada menos que aquele que proclamou a República em 1889: Manoel Deodoro da Fonseca. Além dele, também o segundo presidente, Floriano Vieira Peixoto, o marechal de ferro, que também era alagoano, de Maceió. Para o o primeiro, além da proclamação da república, ficou a tentativa de um golpe de estado, que fracassou. Já o segundo foi um dos responsáveis pela consolidação da República, fato até hoje questionado, a questão da História Oficial vs. História Republicana.

Também tem outros filhos ilustres, de menos destaque na política, mas de grande importância cultural para o país, como Graciliano Ramos, nascido em Quebrangulo e autor de “Vidas Secas”. Quebrangulo é inclusive o lugar onde morava nossa colaboradora do texto de hoje, Silvia Soares, que nasceu em Palmeira dos Índios, mas que adotou Quebrangulo como terra natal. Além deles, o cantor Djavan e a médica psiquiatra Nise da Silveira, que foi aluna de Carl Jung…

Mas não é possível falar desse estado sem lembrar rapidamente o que ele deu para o Brasil. Um homem que chegou como bom moço e saiu pela porta dos fundos do Palácio do Planalto. Você já deve saber de quem eu estou falando. Fernando Collor de Melo.

Estava iniciando minha jornada política quando vi esse homem, com pose de presidente, ser afastado do cargo. A recém democracia instaurada no Brasil não merecia receber esse duro golpe, mas mostrou que o país queria acertar.

Mas vamos deixar claro que ele só saiu do governo porque na certa ele não quis dividir os “lucros e dividendos” de suas ações. Rapidamente colocaram ele para correr. Sim, o movimento dos caras pintadas, e a votação pelo impeachment foi somente um teatro.

Mas mesmo depois de ficar inelegível por oito anos, ele que voltar para o cenário político. Os eleitores do estado já o elegeram senador e agora tenta uma vaga no governo (parece ter boas chances de vencer as eleições), o que é simplesmente inacreditável para qualquer cidadão com um mínimo de discernimento. Além de ser candidato, ainda ofereceu apoio a Dilma Roussef (PT).

Até o momento nenhuma pesquisa oficial foi registrada no TSE mas vamos esperar ansiosamente os primeiros números e o único resultado esperado é o digno NÃO dos eleitores alagoanos.

Assim como os demais, Alagoas sofre com a escalada da corrupção. Nomes como Renan Calheiros, Antônio Albuquerque, Renan Filho (sim, filho do Calheiros) e Luciano Barbosa devem estar na memória do eleitor. Ou são péssimos politicos, ou são corruptos, ou são as duas coisas.

Esperamos uma atitude digna dos eleitores nas próximas eleições.

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Um comentário sobre “Alagoas: as lagoas”

  1. Um excelente artigo, muito bem escrito e fiel à realidade. =) Como alagoana, me sinto feliz ao ver minha terra ser lembrada e comentada com tamanho carinho.

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