O longínquo estado do Amapá, território federal de 1943 a 1988, é para o pessoal do “Sul” uma incógnita. Com a melhor preservação da natureza, tem 90% de seu território coberto pela floresta amazônica, e nossa próxima parada na Viagem pelos Estados, é também o estado que, proporcionalmente, mais cresce em população.
E justamente na área ambiental que se destaca, abrigando desde 2002, o maior parque florestal do mundo: o Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque, com 3,8 milhões de hectares, semelhante ao estado do Rio de Janeiro e maior que a Bélgica.
É lá que está também a maior pororoca do litoral brasileiro, que é o encontro da água do mar com a água do rio. Esse fenômeno provoca ondas de até 4 metros de altura e pode se mover por mais de 1 hora continente adentro, derrubando árvores de grande porte e modificando o leito dos rios menores.
O Amapá é uma terra de contrastes, como o lugar de baixa taxa de mortalidade infantil (abaixo da média nacional), melhor índice de desenvolvimento humano da região Norte…
Em contrapartida, um terço da população não tem acesso à água encanada, por exemplo.
Macapá, a capital do estado, concentra quase 60% da população e é cortada pela linha do Equador. Para ir de um hemisfério a outro, basta atravessar uma rua. Falando em hemisférios, por aí também passava a lendária linha de Tordesilhas.
Politicamente, o estado é um desastre. Primeiro porque é curral eleitoral do Senador José Sarney, que é do Maranhão. Políticos são cassados, voltam ao poder e ainda são reeleitos. Fraudes em obras públicas seguem o padrão do resto do país. É como se fosse terra de ninguém.
Assim como na maioria dos estados do Norte e Nordeste, o Amapá tem sérios problemas de infraestrutura, em especial nas áreas de energia, comunicação e transporte. Talvez para algumas pessoas, é difícil pensar em encarar um novo racionamento de energia, mas lá no alto do Brasil, essa possibilidade não é tão absurda.
Em notícia veiculada na semana passada pelo Jornal do Dia, funcionários da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) denunciaram que já está ocorrendo racionamento em Macapá. Não bastasse isso, ainda afirmam que a empresa poderia estar “mal das pernas” e com dívidas acima de sua capacidade.
Já a Companhia, seguindo a tendência de por a culpa em alguém, afirma que o problema é do baixo nível do Rio Araguari.
Ainda sobre a falta de investimentos em infraestrutura, fica a dúvida: será que se a “riqueza do pré-sal” fosse dividida de maneira igualitária entre os estados e municípios, o Amapá, bem como os estados do Norte, seria mais desenvolvido economicamente, os amapaenses com melhores condições ou esse dinheiro iria para o cofre de algum Sarney, digo, coronel de ocasião?
Vamos ver qual resposta poderá acontecer nos próximos 20 anos.
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