Talvez o leitor não saiba, mas quando testamos o pedalusp, estávamos também destinados a ir até o centro da cidade, de metrô, utilizando a nova linha, Amarela, administrada pelo consórcio Via 4.
Todos aqueles que conhecem a dificuldade que é chegar ao centro da cidade, por qualquer um de seus corredores: Teodoro Sampaio, Rebouças, 9 de Julho ou Augusta. Atualmente, pelo grau de trânsito da cidade, meio que impossível fazer esse trajeto em menos de 60 minutos. Talvez, em um dia ou outro, 45 minutos seja admissível.

Pois bem. Meu destino era justamente a estação final (ou inicial) da linha, a Estação da Luz. Do momento de fechamento na estação Butantã até a abertura na estação da Luz foram exatos 12 minutos. Futuramente este tempo irá aumentar, visto ainda existirem algumas estações fantasmas no caminho.
Tudo isso seria perfeito e levaria as idas ao centro da cidade a um patamar jamais imaginado pelo mais velhos moradores do tradicional bairro da região oeste paulistana. Mas nem só de flores vive a linha amarela.
No próximo dia 11 de dezembro os eleitores do Pará vão decidir se dividem (ou fragmentam) o Estado em três. Pará, Tapajós e Carajás podem figurar em breve nos livros de Geografia.
Mas para nós não basta ler as notícias “oficiais” sobre o assunto. Queremos discussão de verdade e dar voz a quem pode dar uma visão mais próxima da realidade. Desta forma, pedimos a ajuda de um paraense que vive diariamente o clima do plebiscito e que tem ativa participação política na capital, Belém. Além de tudo, é um crítico que merece ser ouvido por nós do Vivendocidade.

Em uma reunião só permitida pelos novos tempos, Eu (@adcarva) e Carlos Filho (@gaho) aqui em São Paulo, o João Santana (@joaosantana) em Recife e o Flávio Miranda (@Fra_Miranda_) em Belém, fizemos a nossa mesa redonda sobre o assunto. Na redação, o placar é de 3×0 contra a divisão. A única ressalva é apontada por Santana, que costuma “ser favorável a qualquer iniciativa de autodeterminação dos povos”, mas preocupa-se com o fato da criação de três estados pobres e extremamente violentado por políticos locais.
Abaixo, a entrevista com Miranda sobre a divisão do Pará.
Preciso começar esse artigo pedindo desculpas aos maranhenses, pois não dá para pensar no Maranhão sem pensar em um nome de peso, e que tenho certeza pesa muito nas costas do cidadão comum deste Estado.
Sim, estamos falando da família Sarney. E tudo ou qualquer coisa boa que o Estado possa ter, fica encoberto por esse fantasma que parece vai atanazar a vida do Estado por muitas gerações.
E para não perder o ritmo, vamos falar do que o Maranhão tem de pior. O Estado pode ser chamado de o Vasco da Gama da Federação, e os motivos são os piores possíveis. É o vice campeão do PIB per capita mais baixo do País, atrás do Piauí. É o vice campeão em mortalidade infantil, com assustadores 39,2 por mil nascidos vivos, só perdendo para Alagoas, do Collor de Melo e Teotônio Vilela. Mas não fiquem triste, porque enfim o Maranhão conseguiu seu título. É campeão em IDH: o pior entre os 26 estados e Distrito Federal. E as notícias não param por aqui: não conservam seus prédios históricos – quase 40% dos casarões correm risco de desabamento -, pouco mais da metade dos domicílios possuem acesso à água e à rede de esgoto. Enfim, vamos parar por aqui senão os maranhenses vão nos detestar de hoje até o fim do mundo.