Não há como negar que os tempos são outros e que o mundo a qual conhecemos hoje em nada se parece com o mundo de pessoas com um pouco mais de idade, como o Carlos Correa, por exemplo.
Hoje, durante o café da manhã na empresa, conversamos sobre a loucura que é enfrentar pouco mais de 100 km por mais de 5, 6 horas. É isso que acontece quando um feriado cai em uma quinta-feira e o paulistano resolve descer para o litoral. Não será diferente no próximo dia 21 de abril, que une o feriado de Tiradentes ao da Páscoa.

Mas a conversa tomou outro rumo. Ela foi parar nos idos de 1950 e 1960, quando a descida para o litoral era feita por trem ou por aqueles que arriscavam descer pelo único caminho da época, a via Anchieta. Nosso interlocutor relatou fatos inusitados, como a descida de trem demorar cerca de 8 horas. Ou quando o município de Monguagá era iluminado por lampiões e querosene. Posteriormente, de forma triunfal, a prefeitura da cidade litorânea conseguira comprar um gerador, que funcionava das 18 às 20 horas. Daquele tempo antigo sobraram ainda a lembrança de poucos carros na rua e para nós, mais jovens, da lamparina que nossa mãe colocava no quarto para não dormimos no escuro. Um copo com metade de água, um pouco de azeite ou óleo e um pavio cercado por uma “bóia” de cortiça. O fogo queimava todo o azeite e só restava a água, sem perigo de incêndio.
Não me preocupei em checar se todas as informações prestadas por nosso interlocutor estavam corretas. Quem se importa? Quando se fala do passado, a viagem é que basta. Só acho impressionante o fato de onde a mente humana é capaz de nos levar em relez 15 minutos (nem isso) de café.
Por mais que eu tenha nascido bem depois da época relatada, temos sempre a impressão de ter vivido essa época, além de ter aquela sensação de “bons tempos de outrora”. Na verdade vivemos, mas não como você está imaginando, nobre leitor. Isso se chama genética e essa sensação está impressa no seu DNA, vinda de seus antepassados, através dos tempos.
Por isso falar do tempo passado não vivido parece tão presente.
Na foto, a via Anchieta no final dos anos de 1960.
Neste final de semana acontece em São Paulo mais uma edição da Virada Cultural. São 24 horas de inúmeras atrações espalhadas pela cidade inteira.

Apesar de já estar em sua sétima edição e todos dizerem que isso é o maior sucesso dos últimos tempos, eu acho essa Virada um porre. É quase que empurrar garganta abaixo atividades e artistas que não são de nosso interesse, achando que isso é a disseminação da cultura, etc, etc.
O Vivendocidade estreia uma nova coluna essa semana: As viagens do Cotidiano, escrita pelo colunista Alexandre Carvalho, do Cotidiano Nacional.
Nela, ele conta suas viagens próximas a partir de São Paulo. Lugares não muito longe da Capital mas que têm todos os ingredientes necessários para que você possa curtir um pouco da vida mansa do interior do estado de São Paulo.
Como não poderia deixar de ser, a coluna não é engessada e poderá ter dicas de passeio dentro da própria capital paulista como poderá também romper as fronteiras estaduais. O importante é você viajar conosco neste novo devaneio de Alexandre Carvalho.
Na coluna de estreia, ele vai até São Roque e desvenda os segredos da Estrada do Vinho. Confira
Algo que ele não sabe, é que a nossa série “Grandes Cidades” fará parte desse imenso pacote. (já falamos de Curitiba, leia lá)
At. Carlos
Para quem quer sair um pouco de São Paulo e não quer se afastar muito da capital uma boa pedida é a pequena cidade de São Roque, famosa pela grande quantidade de adegas de vinho.

E antes que o leitor possa começar a ler com preconceito, não venha me falar da qualidade do vinho. O vinho é barato e gostoso, é obviamente não pode ser comparado com vinhos portugueses ou chilenos. Ele tem suas qualidades e deve ser apreciado e valorizado.
Para pegar a estrada do vinho você pode tanto ir pela Raposo Tavares quanto pela Castelo Branco, que foi a nossa opção. A entrada para São Roque é no km 53. Considerei até bastante sinalizado o caminho até a estrada, com uma pequena deficiência logo quando você está chegando, que faz com que você vá parar quase em Atibaia se não estiver atento ao seu “senso de direção”.
Chegando à rota, não se impressione com a estrutura de algumas adegas. Procure as menores, mais discretas. Não experimente os vinhos, afinal, você estará dirigindo, mas não deixe de comprar pelo menos duas garrafas. Compre também uma garrafa do puro suco de uva. Você vai sentir um gosto como nunca antes.
O passeio é bastante agradável, e se bater uma fome, encontre no alto de um morro, com estrada batida, um restaurante português que serve um delicioso bolinho de bacalhau. Mas prepare o bolso, não vai sair barato. Mas a beleza e a tranquilidade do passeio não terá preço, pode ter certeza.
Na volta, aproveite a proximidade com a Raposo Tavares e siga de volta para São Paulo, mas não deixe para fazer isso no final de tarde de domingo, porque você poderá se irritar com o trânsito e atrapallhar sua viagem.
Ao chegar em casa, você vai degustar um bom vinho, principalmente depois de você deixá-lo um pouco na geladeira. Não vai pagar o olho da cara e o efeito será praticamente o mesmo. Junto com uma bela macarronada, ou um nhoque suculento, então fará menos diferença ainda. Aproveite!