Ontem tivemos o prazer de ouvir o primeiro pronunciamento da presidente Dilma Rousseff em cadeia de rádio e televisão.
Nele, a presidente falou sobre educação e que quer algo parecido com o ProUni, mas desta vez para o ensino técnico. O Programa Universidade para Todos demonstra aparente sucesso, mas temos que levar em conta que milhares de novos profissionais são despejados no mercado, uns bem formados, outros nem tanto.
Os acontecimentos no Egito me levam a fazer várias confabulações, dos mais diversos assuntos e das mais diversas opiniões.
Creio que a agitação dos egípcios é digna de nota nas mais diferentes formas de imprensa do mundo. Mesmo com as tentativas do governo de Mubarak de cercear o direito a informação, as pessoas lutam bravamente para protestar, curiosamente de forma pacífica, e tentar derrubar um ditador que está no poder há mais de 30 anos. Quem partiu para a ignorância foi a polícia e os simpatizantes do governo.
Curioso que em um desses dias alguém tuitou sobre o fato de manifestantes terem subido em um veículo militar e praticamente desfilarem protestando em cima do carro do exercito. A cena, aparentemente hilária, mostra que o exército também pode querer um final diferente para os protestos.
Todos sabem que o Egito é um importante aliado dos EUA na região. E alguns sabem também que eu sou um entusiasta dos EUA, quando o assunto é ciência e tecnologia. Mas nem por isso vou deixar de criticar e questionar as atitudes dos americanos. Como pode um governo que se julga ser o líder do mundo livre, na pessoa do presidente do país, manter relações estreitas, inclusive fornecer ajuda militar vultuosa a um ditador?
Por fim, para não me alongar muito, fico imaginando se algo parecido acontecesse no Brasil, ou para tirar um presidente, ou para derrubar um Congresso vergonhoso, como é o do nosso país. Confesso que tirando o Collor, não houve nenhum outro presidente que me levasse a pensar na possibilidade de protestos. Já quando o assunto é o Congresso, poderíamos dizer que as manifestações deveriam ser bem fortes inclusive.
Eu já acho que se o Congresso fosse no Rio ou em São Paulo, mais de uma seriam as ocorrências. Estando longe, em Brasília, eles ficam um pouco afastados. Mas os Congressistas visitam seus estados de origem, andam pelas ruas. É melhor se cuidar!
Voltando ao Egito, espero que esses movimentos ponham fim à vida política de Hosni Mubarak, nome que ouço falar desde quando era criança pequena lá em Bananal. Mas que isso também não signifique que o poder no Egito caia nas mãos de malucos fundamentalistas.
Uma das grandes realizações do governo Lula que eu faço questão de aplaudir é o aumento do número de pessoas que conseguiram concluir o ensino superior.
Cursar uma faculdade é um sonho de muitos adolescentes que estão prestes a deixar a escola, mas a realidade brasileira era outra, há alguns anos atrás.
Não existia esse sem número de faculdades particulares e as universidades públicas eram um sonho tão distante quanto nossas chances de adentrá-la. Na minha turma de 20, 30 alunos, apenas 2 conseguiram acesso à universidade pública, por seus próprios méritos. Naquele tempo, essa foi a primeira grande derrota da minha vida.
Mas agora temos a oportunidade de estudar em uma escola pública ou privada e as vezes até mesmo sem pagar nada, como é o caso do PROUNI (Programa Universidade para Todos). O SiSU (Sistema de Seleção Unificada) dá acesso às universidades federais e em último caso ainda é possível financiar o curso através do FIES (Financiamento Estudantil). Tudo isso condicionado a realização do ENEM (Exame Nacional do Exame Médio).
Todo esse aparente mar de rosas esconde uma armadilha para o ego do novo profissional. Existem aqueles que não dão a mínima, aqueles que acabam procurando outro curso e aqueles que acumulam em seus currículos uma infinidade de ensinos superiores incompletos.
Mas existem aqueles que não vão descansar enquanto não atuarem na área. Não importa se é o curso do seu sonho ou aquele que caiu na sua rede, mas se você abraça a profissão que escolheu, sim, você certamente ficará frustrado e incomodado rapidamente, ao fim do curso. E não adianta mudar de área, a não ser que seja para a sua área.
As benesses da facilidade da formação acadêmica irão certamente conflitar com a decepção de guardar o diploma na gaveta.
Se há males que vem para o bem, será que a recíproca também é verdadeira?