Antes de começar, já adianto que este é um daqueles posts longos, mas nem por isso ele é chato (você que é preguiçoso e não gosta de ler, sinto muito).
Historicamente não existe um conceito capaz de definir “deus”. Os povos da Antiguidade se referiam a deus através da manifestação dos fenômenos naturais, a chuva, o vento, à noite, o dia, as estações e assim por diante. E daí surgem os rituais, os sacrifícios, as cerimônias, que tinham como objetivo agradar as benfeitorias recebidas pelos “deuses” atribuídos para cada fenômeno da natureza, ou como forma de não serem castigados.
Ao longo dos séculos, por meio das tradições primitivas, esses deuses foram ganhando contornos cada vez mais fortes até se estabelecer um conceito filosófico de religiões, significando aqui como grupos de pessoas, com métodos, regras e afins.
E assim essa evolução caminhou por muitos séculos em nossa história e se mantém até os dias atuais.

Essa é a História resumida. A parte longa, e principalmente a resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, universo e tudo o mais, digo… Porque essa necessidade de deus afinal?
Antes de tudo, não é Deus, com letra maiúscula, da tradição judaico-cristã; mas sim o deus, baseado em tudo aquilo que as pessoas acreditam, e que de alguma forma, se sentem bem.
Não que eu queira falar mal dos aparelhos eletrônicos de maneira geral. Sem dúvidas um grande avanço tecnológico em nossos tempos. Eles são úteis, fáceis de usar, nossos parceiros em muitas ocasiões. Mas, observo que com o tempo, eles estão nos deixando mais preguiçosos e viciados. Aliás, fiz uma pesquisa empírica com dez colegas – mania de pesquisador – na universidade onde estudo, a pergunta foi a seguinte:
Se faltar energia elétrica em sua casa o que vai te fazer mais falta? E para a minha surpresa, as respostas seguiram na seguinte ordem: um pesquisado pensou no banho, dois ficaram preocupados com a segurança e conforto que a energia elétrica nos traz, – afinal, quem não gosta de enxergar bem? -, e sete pessoas responderam que sentiriam falta da internet, da televisão, do Orkut e do MSN (sim, como se Orkut e MSN não fizessem parte da internet).

Repetindo, 70% sentiriam falta da internet e, em segundo plano, da televisão.
Muito interessante a maneira que as pessoas estão vivendo ultimamente. Isto porque a loucura do imediatismo das grandes metrópoles tomou conta de todas as mentes, inclusive da minha, até os deuses são imediatos, as igrejas que o digam.
Dias atrás viajei com alguns familiares até uma cidadezinha do interior no sul de Minas Gerais e percebi a grande diferença na população local, alguns hábitos logo me chamaram atenção. Fomos conversar com o juiz da Comarca da cidade – rolo de família pelo jeito, e só existe uma. Fomos informados que o juiz só chegaria após o meio dia. Pensamos: bom, uns dez minutinhos não vão nos custar nada. Em seguida o funcionário local nos sugeriu que o bom era almoçarmos primeiro, porque “o Doutor costuma demorar um pouco”, ficarmos sem opção de espera, o jeito foi garantir o estômago.
Começamos a procurar um restaurante com uma boa comidinha para aliviar a tensão – nessas horas comer é a melhor solução. Bom, encontramos apenas dois restaurantes, um pertinho do outro; engraçado que o garçom foi logo falando que o preço do concorrente era igual, e era mesmo. Como dizem que a primeira impressão é a que fica, almoçamos no primeiro restaurante.
Aquela calma já estava me incomodando, a pressa logo passou pela minha cabeça, estou lenta demais, pensei no celular para conectar com o mundo real, – é, porque diante de tanta calma tentei segurar o pânico – vai que o dia não termina neste lugar e a calma é a única diversão. A correria tomou conta da minha cabeça, comecei a rezar: procurei internet no celular, tentei o twitter, e nada, fui para a caixa de mensagens pior, ninguém se lembrou de mim, pelo menos naquele dia. Que loucura!
Percebi que o imediatismo era o meu dono e para não morrer pagã, procurei uma igreja, não foi difícil de encontrar, como diz o mineiro, esticando os olhos, “fica logo ali”, também vazia, o silêncio daquele local foi quebrado pelos meus passos.