Não que eu queira falar mal dos aparelhos eletrônicos de maneira geral. Sem dúvidas um grande avanço tecnológico em nossos tempos. Eles são úteis, fáceis de usar, nossos parceiros em muitas ocasiões. Mas, observo que com o tempo, eles estão nos deixando mais preguiçosos e viciados. Aliás, fiz uma pesquisa empírica com dez colegas – mania de pesquisador – na universidade onde estudo, a pergunta foi a seguinte:
Se faltar energia elétrica em sua casa o que vai te fazer mais falta? E para a minha surpresa, as respostas seguiram na seguinte ordem: um pesquisado pensou no banho, dois ficaram preocupados com a segurança e conforto que a energia elétrica nos traz, – afinal, quem não gosta de enxergar bem? -, e sete pessoas responderam que sentiriam falta da internet, da televisão, do Orkut e do MSN (sim, como se Orkut e MSN não fizessem parte da internet).

Repetindo, 70% sentiriam falta da internet e, em segundo plano, da televisão.
Muito interessante a maneira que as pessoas estão vivendo ultimamente. Isto porque a loucura do imediatismo das grandes metrópoles tomou conta de todas as mentes, inclusive da minha, até os deuses são imediatos, as igrejas que o digam.
Dias atrás viajei com alguns familiares até uma cidadezinha do interior no sul de Minas Gerais e percebi a grande diferença na população local, alguns hábitos logo me chamaram atenção. Fomos conversar com o juiz da Comarca da cidade – rolo de família pelo jeito, e só existe uma. Fomos informados que o juiz só chegaria após o meio dia. Pensamos: bom, uns dez minutinhos não vão nos custar nada. Em seguida o funcionário local nos sugeriu que o bom era almoçarmos primeiro, porque “o Doutor costuma demorar um pouco”, ficarmos sem opção de espera, o jeito foi garantir o estômago.
Começamos a procurar um restaurante com uma boa comidinha para aliviar a tensão – nessas horas comer é a melhor solução. Bom, encontramos apenas dois restaurantes, um pertinho do outro; engraçado que o garçom foi logo falando que o preço do concorrente era igual, e era mesmo. Como dizem que a primeira impressão é a que fica, almoçamos no primeiro restaurante.
Aquela calma já estava me incomodando, a pressa logo passou pela minha cabeça, estou lenta demais, pensei no celular para conectar com o mundo real, – é, porque diante de tanta calma tentei segurar o pânico – vai que o dia não termina neste lugar e a calma é a única diversão. A correria tomou conta da minha cabeça, comecei a rezar: procurei internet no celular, tentei o twitter, e nada, fui para a caixa de mensagens pior, ninguém se lembrou de mim, pelo menos naquele dia. Que loucura!
Percebi que o imediatismo era o meu dono e para não morrer pagã, procurei uma igreja, não foi difícil de encontrar, como diz o mineiro, esticando os olhos, “fica logo ali”, também vazia, o silêncio daquele local foi quebrado pelos meus passos.
Bom, depois do puxão de orelhas do editor mentira!… Acredito que a ausência às vezes nos faz bem. Brincadeira!… rsrs
Como é sabido sou pesquisadora do pentecostalismo brasileiro, inclusive suando muito para dar conta dos capítulos finais da tese.
Vamos falar hoje da questão da Modernidade nas igrejas pentecostais consideradas históricas.
O Pentecostalismo clássico ou o de missão, como também é chamado, que o Brasil passou a conviver a partir do ano de 1910 – com a chegada da primeira igreja pentecostal e, logo em seguida (1911) com a segunda igreja – centrava-se no ascetismo e nos dogmas. Seus adeptos entendiam que quando mais afastados dos prazeres do mundo, mais perto estavam da salvação e essa salvação, era para ser vivida no “paraíso celeste” e não neste mundo.
Uma coisa meio complicada de se entender nos dias de hoje, com as contribuições das tecnologias e do progresso incessante, da cultura de massa, sociedade de consumo, e, etc., mas era exatamente assim que viviam os primeiros pentecostais em solo brasileiro. Repetiam os discursos para a ética moral, santidade, recolhimento e salvação, em resumo.

Além desses atributos, acreditavam ainda que a salvação era coletiva, a pobreza material e sofrimento eram grandes atributos para se conseguir a salvação eterna. Na verdade, se for pensar por esse viés, acredita-se que tinha mais salvos do que se imaginava (apesar da nossa presidente ter a missão de erradicar a pobreza).