No Brasil, Auschwitz fica no Nordeste


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Mais uma vez o gene da burrice adormecido que todo brasileiro, sobretudo das regiões sudeste e sul, apareceu na grande imprensa. Claro que o preconceito em si – de todos os lados e conceitos – sempre existiu. A diferença é que dessa vez quase foi visto como algo normal.

Ao menos em função do resultado eleitoral.

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cara-de-burro
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É evidente que o fenômeno migratório brasileiro, sobretudo a partir dos anos 60 do século XX, trouxe pessoas de todos os cantos do país para os grandes centros urbanos, na época, Buenos Aires e Nova Déli, digo, Rio de Janeiro e São Paulo. Mas no final é a mesma coisa.

A burrice em questão, segundo os adeptos dessa idiossincrasia, pode ser resumida na letra do músico Edgard Scandurra, do Ira!:

Pobre Paulista (trecho)
Não quero ver mais essa gente feia
Não quero ver mais os ignorantes
Eu quero ver gente da minha terra
Eu quero ver gente do meu sangue

Esse sentimento, que é o reflexo do encontro de culturas e costumes diferentes, somado à falsa ideia de que não existe desenvolvimento em outras regiões do país, a distância entre as capitais e outros motivos injustificados fecham os olhos das pessoas para o simples fato de que todo paulista, paranaense, carioca, etc tem algum parente nascido, seja do norte ou nordeste e que o que nos torna forte é justamente a mistura.

É um chavão, mas é a verdade. Até porque segundo a análise do Cotidiano Nacional, o resultado da eleição não foi uma divisão do país, onde os supostos ricos e desenvolvidos do sul perderam para a massa impensante de nordestinos.

Essa eleição, assim como todas depois da redemocratização dos anos 1980, se resume em “manter o que já existe” contra “tentar algo novo”. Vamos rever os últimos resultados:

  • 1985 – Tancredo Neves é escolhido presidente pelo colégio eleitoral, morre (ou é morto) e quem assume é o ex-arenista José bigode Sarney, o que pode ser entendido como o último grito do regime;
  • 1989 – Fernando Collor, a qual dispenso comentários, é escolhido sob a ótica do “tentar algo novo”, deu zica;
  • 1992 – Assume Itamar Franco, que teve a chance de fomentar a maturidade econômica;
  • 1993 – Plebiscito sobre a forma e o sistema de governo, nós votamos em “manter o que já existe”;
  • 1995 – FHC, numa clara referência ao “manter o que já existe”;
  • 1999 – Reeleição, sem comentários;
  • 2003 – Lula, na maior mudança de paradigma da nova república;
  • 2005 – Referendo sobre o desarmamento, onde mais uma vez votamos para manter o que já existia;
  • 2007 – Lula de novo, manteve-se o status quo;
  • A partir de 2011, por fim, a primeira mulher eleita presidente de nossa história.

Resumindo, 78% de todas as votações nacionais recentes escolheram a manutenção do status quo, aquilo que já existe.

Dessa forma, não é o voto de uma pessoa, no sentido de estado de origem, riqueza ou visão política que determina o futuro do país.

Os racistas? Cadeia neles!

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Um comentário sobre “No Brasil, Auschwitz fica no Nordeste”

  1. Fabíola disse:

    É isso aí! Aos racistas e xenofóbicos cadeia! Há gente politicamente inteligente e burra em todas as regiões. Eu sou uma que nunca terei vergonha das minhas raízes. Sou acreana e, por consequência, um pouquinho nordestina também. Sabe a baixa da égua? Os preconceituosos do sul e sudeste podem ir todos pra lá.

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