Com computadores e a tecnologia em geral evoluída a níveis interplanetários, desde alguns anos as pessoas são capazes de encontrar tudo o que precisam à distância de alguns cliques do mouse. Eu mesmo faço minhas buscas sobre a situação do trânsito antes de sair de um lugar para outro, ou mesmo encaixar os horários dos filmes, para ver na sequência.
Essas facilidades todas desenvolveram o gene mutante da individualidade, onde não sabemos mais conversar com alguém, senão formos intermediados por uma rede de telas e o sindicato dos derpinos forever alones teve a brilhante ideia de oferecer serviços, qualquer um, dentro de um conceito de rede de usuários.
E foram criadas as redes sociais.

E em seguida, como não poderia deixar de ser, a massiva diversificação dessa mídia, capaz de termos (não sei se existem, mas é possível que sim) redes para controlar quantas vezes bebemos água no dia, quais livros estamos lendo, os lugares que frequentamos, as pessoas com quem temos casos extraconjugais e tantas outras.
Os tipos são tantos, que existe rede social para controlar quais redes sociais participamos!
Parte dessa situação pode ser explicada pelos próprios equipamentos que usamos, ou melhor, a convergência entre todos eles em algo relativamente portátil e de fácil uso, potencializado pela estratégia comercial das operadoras, que enfatizam certos recursos, como capacidade de filmagem e fotografias, acesso à internet, e outros.
Algum amigo postou outro dia via twitter que “celular com acesso às redes sociais” é o velho “celular com toques polifônicos”, e se pararmos para pensar, de fato é.
Na psico-filosofia, temos o conceito de “esse est percipi” (ser é ser percebido), proposto por George Berkeley em 1710.
Esse conceito, se aplicado às mídias nos faz perceber que somos por natureza veículos de comunicação, onde a moda é produzir bons pensamentos, ao mesmo tempo em que se ninguém te percebe, você também não é.
Isso explica a máxima do século XXI, e que nós produtores de conteúdo adotamos como Santo Graal, que é “tudo pode ser vendido, tudo pode ser objeto de publicidade”.
Redes sociais são, portanto, a porta de entrada para a percepção da pessoa no mundo em que ela pertence. Infelizmente.
Enquanto escrevo este texto, Cowboys e Aliens está sendo disponibilizado por mais de 3 mil pessoas e sendo baixado por quase 1/3 desse mesmo tanto, de acordo com o maior site de distribuição de arquivos torrent da internet.
E nos feeds leio que essa semana a Netflix chegou a Pindorama oferecendo seu eficiente negócio de aluguel de filmes e séries pelo PC, a preço módico e com o primeiro mês grátis.
Tanto a Netflix quanto o BitTorrent são o que posso chamar de desbravadores de um novo Velho Oeste. O primeiro é um pioneiro na distribuição legal de conteúdo pela internet, tão revolucionário que quase levou à bancarrota a Blockbuster. O segundo é o mais popular e utilizado sistema de distribuição de conteúdo ponto a ponto, capaz de transformar redes como a do eDonkey2000 e KaZaA em desertos sem vida. Ambos, apesar de através de maneiras diferentes, acertaram um público exigente e fiel àquele que quer conteúdo, mas não quer se deslocar (tanto) ou pagar (muito) por isso.
Desde quando você começa a trabalhar, por todos os dias até o momento em que decide se retirar da brincadeira, vai se encontrar com pessoas de todos os tipos, e neste sentido, queremos dizer, pessoas ruins mesmo, que não sabem metade do que você sabe, e mesmo assim estão em posições privilegiadas dentro da hierarquia empresarial.
No nosso contexto, adotamos a mania de afirmar que essas pessoas estão com a boca cheia de sangue, e como tal precisam descarregar esse desequilíbrio em alguém, coisa e tal.

Claro que acabou se tornando uma grande piada interna e até mesmo, conseguindo outros significados não imaginados na origem da palavra.