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Batalha do Jenipapo: primeira luta pela independência do Brasil, no Piauí

Dia 13 de dezembro do ano que terminou viajei por vinte dias pelo Piauí e visitei o monumento dos heróis da Batalha do Jenipapo ocorrida em 13 de março de 1823. Confesso que me impressionei muito com a história viva que vi de parte desse nosso enorme Brasil e com o desconhecimento geral aqui no sul maravilha sobre esse importante acontecimento. Convido os leitores do “Vivendocidade” para mergulharem nessa história que escrevi em parceria com o professor de história piauiense Paulo Silva de Sousa.

Campo Maior, onde a batalha aconteceu próxima ao Riacho Jenipapo, fica a 84 km da capital do Piauí (Teresina) e caracteriza-se pela presença marcante do coqueiro Carnaúba (“Copernicia prunifera”), que lhe rendeu o apelido de “Terra dos Carnaubais”. Sua principal atração turística é o Açude Grande, hoje infelizmente bem poluído e maltratado.

Essa luta foi a mais violenta e única batalha sangrenta pela Independência do Brasil e pela consolidação do território nacional, e foi vencida pelos portugueses.

Seus principais líderes foram Leonardo Castelo Branco, José Pereira Filgueiras, Luis Rodrigues Chaves, Alexandre Nereu, João da Costa Alecrim e Tristão Gonçalves Alencar, cujos corpos estão enterrados no cemitério localizado atrás do monumento, em túmulos rústicos de pedra e cruz de madeira. As estatísticas mostram que houve entre brasileiros e portugueses um total de 200 mortos ou feridos e 542 prisioneiros. Continue lendo

Pintura brasileira na cultura popular: uma amostra

Trazendo um pouco de arte para o nosso site, apresento o novo vídeo da Galeria Pontes, onde trabalho, que apresenta três artistas de expressão na cultura artística de nosso Brasil. Desses, dois são pernambucanos (Samico e Alcides Santos) e o outro é o paraibano Luiz Tananduba. O único que ainda pinta é Tananduba. Alcides Santos faleceu em 2007 e Samico em 2013. Falarei um pouco sobre seus trabalhos pictóricos.

Para introduzir, nada como falar da Arte Popular Brasileira. Ela é bonita, criativa e cheia de vida. Tem um aspecto lúdico que mexe também com jovens e crianças. Encanta e surpreende. E, ao contrário da arte erudita, ela é uma produção espontânea, na qual não sobra espaço para a educação formal ou acadêmica. Quando algum tipo de transmissão de conhecimento existe, ocorre no máximo informalmente com outro artista/ artesão que funciona como iniciador.

Na arte popular há muito mais espaço para a inventividade e para o saber fazer pessoal do que na arte erudita. A imaginação é muito mais livre tanto na forma final do trabalho como nos meios que o artista inventa para resolver os problemas na confecção de sua obra. A arte popular é a viva expressão da criatividade do nosso povo. Através da sua fantasia o artista reinventa a realidade, estabelecendo íntima relação entre o real e o simbólico.

Dos muitos pintores, podemos ver no vídeo acima três deles:

Samico (1928 – 2013) tem sua produção marcada pela recuperação do romanceiro popular nordestino, por meio da literatura de cordel e pela utilização criativa da xilogravura. Suas gravuras são povoadas por personagens mitológicos e outros, provenientes de lendas e narrativas locais, assim como por animais fantásticos e míticos.

Alcides Santos (1945 – 2007) foi enfermeiro de Vicente do Rego Monteiro e desse contato surgiu sua vontade de ser artista. Em 1969 começa a pintar, sob o estimulo do artista Antônio Cavalcanti, que o inicia na utilização das tintas a óleo. Nos anos 70 já havia chamado a atenção do poeta Joaquim Cardozo e do escritor Hermilo Borba Filho, que lhe dedicaram textos. Foi um dos destaques da XXIII Bienal de São Paulo, tendo uma obra utilizada como o cartaz desse evento.

Por fim, temos Luiz Tananduba (1972) que começou a pintar em 1985, com orientação do artista plástico e seu pai adotivo, Alexandre Filho. Sua inspiração vem de uma visão idealizada e subjetiva do povoado de Caiçara, interior do estado, lugar onde cresceu e tomou emprestado seu sobrenome artístico “Tananduba”, um dos sítios da região.

Para maiores detalhes e informações acesse o site da galeria (http://www.galeriapontes.com.br).

Você precisa de um orçamento

Geralmente quando o sapato aperta, é quando nos lembramos que deveríamos ter comprado um modelo novo um pouco maior, evitando assim passar o dia todo sofrendo dos pés. Eu não sou diferente de todos vocês, e recebi de todos os lados, educação social, moral, acadêmica e até mesmo um tanto de educação sexual (ah, as aulas de biologia da sexta série…).Monopoly

O que eu não tive, e tenho a certeza de que a maioria das pessoas sequer se lembra, foi de ter tido uma educação financeira, daquelas que me tirariam hoje da obrigação de viver de salário em salário (lembrem-se desta frase, ela será importante mais pra frente).

Para aprender a usar o dinheiro, já fiz de tudo, desde calcular troco com o dinheiro do Banco Imobiliário, saber quem é meu Pai Rico, Pai Pobre, e mais recentemente, planilhas e programas que prometem as maiores maravilhas que somos capazes de imaginar.

O que essas ferramentas não ensinam, é que de um pulo, nossas finanças domésticas deixam de ser simples para serem um verdadeiro martírio, com casos onde a pessoa tem dois ou mais cartões de crédito, empréstimo consignado, vale-refeição, seguro desemprego…

E vamos falar a verdade, planejar onde e como vamos gastar nosso dinheiro, na maioria das vezes, é chato. Só não é mais do que ficar anotando todos os dias, as moedas que gastamos para pagar o jornal, a coxinha. Tudo bem, é menos chato que ficar tirando foto de comida no Instagram.

Mas porque que você precisa de um orçamento? A resposta é simples, e uso aqui aquilo que meus avós repetem há mais de cem anos:

“Se você não plantar direito, se não cuidar da árvore, não vai ter a fruta”.

E qual seria a fruta nos dias de hoje? Sair da dívida? Quitar sua casa? Fazer uma previdência privada? Arrumar dinheiro para viajar pelo mundo? Comprar uma TV?

Então, a primeira coisa que temos que fazer, segundo as regras de ouro criadas por Jesse Mecham, idealizador da Metodologia por trás do YNAB, é :

Dê um trabalho para seu dinheiro

Imagine que você é o chefe da sua empresa, e um funcionário não trabalha conforme deveria. Depois de algum tempo, você vai até ele e por bem ou por mal, corrige este comportamento. Ou mesmo quando vai dividir as tarefas da semana, e todos recebem algo para fazer, sem deixar ninguém de fora sem fazer nada.

Com o seu dinheiro é a mesma coisa. Se você tem a necessidade de pagar a conta do telefone, ir a um bom restaurante, e ter um vídeo game neste mês, divida seu dinheiro de forma que todas esses “funcionários” tenham algo para fazer, neste caso, limitar quanto vou gastar em cada categoria.

Guarde um pouco para alguma tempestade

A melhor coisa que um método de gerenciamento financeiro pode fazer, é não te ajudar a lidar com aquele problema que aconteceu de forma inesperada. Coisas como manutenção do carro, problemas de saúde, velório (eita!), impostos… Simplesmente acontecem, e você não pode prever e daí o que você faz com seu orçamento? Ele simplesmente naufraga.

Essa regra nos ensina que se você sabe que o Natal acontece todos os anos na mesma data, e que precisa comprar presentes para todos seus amigos e familiares, porque não começar agora, seis meses antes, a guardar um pouco de dinheiro todo o mês?

Natal é um exemplo, mas a mesma ideia vale para sua viagem para Disney, o seguro do seu carro, seu casamento, aquele jantar em que vai finalmente pedir sua namorada em casamento…

Se adapte

Segundo esta metodologia, quem disse que você precisa acertar sua previsão de gastos? Claro que errá-la completamente também está fora de questão, mas no dia a dia, se você reservou um dinheiro para almoço e conseguiu comer na casa da sua sogra que cozinha bem, use esta reserva para outro gasto que talvez você esteja no limite. Com a prática isso vai ser natural.

Viva com o salário do mês anterior

Essa regra está mais para uma meta, um objetivo que temos que alcançar fazendo nosso planejamento dia a dia, de forma a termos uma saúde financeira tal, que não precisaremos nos preocupar em simplesmente pagar as contas, se estamos vivendo de salário em salário (não falei que isso era importante?) ou não.

Imagine que de uma hora para outra, ficamos sem trabalhar? Ou se o cheque especial este mês foi maior do que o esperado, e você teve que usar aquele dinheiro que tinha guardado para o material das crianças?

Com a organização proposta pelas regras 1 a 3, e sabendo que a regra 4 é seu norte, nenhuma dessas coisas vai te abalar, e nossa saúde agradece.

Onde eu aprendi tudo isso? Com o próprio Jesse Mecham, da You Need a Budget.

E não, isso não é um post patrocinado. Os caras mandam bem.