Talvez o leitor não saiba, mas quando testamos o pedalusp, estávamos também destinados a ir até o centro da cidade, de metrô, utilizando a nova linha, Amarela, administrada pelo consórcio Via 4.
Todos aqueles que conhecem a dificuldade que é chegar ao centro da cidade, por qualquer um de seus corredores: Teodoro Sampaio, Rebouças, 9 de Julho ou Augusta. Atualmente, pelo grau de trânsito da cidade, meio que impossível fazer esse trajeto em menos de 60 minutos. Talvez, em um dia ou outro, 45 minutos seja admissível.

Pois bem. Meu destino era justamente a estação final (ou inicial) da linha, a Estação da Luz. Do momento de fechamento na estação Butantã até a abertura na estação da Luz foram exatos 12 minutos. Futuramente este tempo irá aumentar, visto ainda existirem algumas estações fantasmas no caminho.
Tudo isso seria perfeito e levaria as idas ao centro da cidade a um patamar jamais imaginado pelo mais velhos moradores do tradicional bairro da região oeste paulistana. Mas nem só de flores vive a linha amarela.
Não que eu queira falar mal dos aparelhos eletrônicos de maneira geral. Sem dúvidas um grande avanço tecnológico em nossos tempos. Eles são úteis, fáceis de usar, nossos parceiros em muitas ocasiões. Mas, observo que com o tempo, eles estão nos deixando mais preguiçosos e viciados. Aliás, fiz uma pesquisa empírica com dez colegas – mania de pesquisador – na universidade onde estudo, a pergunta foi a seguinte:
Se faltar energia elétrica em sua casa o que vai te fazer mais falta? E para a minha surpresa, as respostas seguiram na seguinte ordem: um pesquisado pensou no banho, dois ficaram preocupados com a segurança e conforto que a energia elétrica nos traz, – afinal, quem não gosta de enxergar bem? -, e sete pessoas responderam que sentiriam falta da internet, da televisão, do Orkut e do MSN (sim, como se Orkut e MSN não fizessem parte da internet).

Repetindo, 70% sentiriam falta da internet e, em segundo plano, da televisão.
No próximo dia 11 de dezembro os eleitores do Pará vão decidir se dividem (ou fragmentam) o Estado em três. Pará, Tapajós e Carajás podem figurar em breve nos livros de Geografia.
Mas para nós não basta ler as notícias “oficiais” sobre o assunto. Queremos discussão de verdade e dar voz a quem pode dar uma visão mais próxima da realidade. Desta forma, pedimos a ajuda de um paraense que vive diariamente o clima do plebiscito e que tem ativa participação política na capital, Belém. Além de tudo, é um crítico que merece ser ouvido por nós do Vivendocidade.

Em uma reunião só permitida pelos novos tempos, Eu (@adcarva) e Carlos Filho (@gaho) aqui em São Paulo, o João Santana (@joaosantana) em Recife e o Flávio Miranda (@Fra_Miranda_) em Belém, fizemos a nossa mesa redonda sobre o assunto. Na redação, o placar é de 3×0 contra a divisão. A única ressalva é apontada por Santana, que costuma “ser favorável a qualquer iniciativa de autodeterminação dos povos”, mas preocupa-se com o fato da criação de três estados pobres e extremamente violentado por políticos locais.
Abaixo, a entrevista com Miranda sobre a divisão do Pará.