Categoria: Literatura

Crônicas de um Sociopata


Olá amigos, esta semana me aconteceu algo muito diferente, para não dizer estranho. Há dois dias, recebi um pacote via correio, escrito apenas “C. Filho”; sem remetente ou nenhum outro indício que me pudesse desconfiar o que se tratava.

Claro que perguntei em casa e simplesmente sabiam menos que eu. Pelo jeito, alguém passou e jogou o embrulho dentro de um saco plástico portão adentro.

Enfim, vamos ver o que é pensei com racionalidade, mas ao ler as primeiras linhas daqueles papéis velhos soube que tudo aquilo não era meu, e eis que transcrevo parte do que li (com os mesmos erros e vícios originais). Continuo (espero, se estiver vivo, se nada mudar até lá, se este “ele” decidir se apresentar com mais vivacidade, etc.) semana que vem…

“Você deve estar pensando o motivo que eu decidi antes de tudo, escrever sobre a minha vida, e até mesmo o motivo pelo qual te escolhi para que pudesse dar o caminho que achar necessário para este conteúdo.

A verdade é que eu mato pessoas, sou um observador inato e vi em você algo que eu nunca tive e por isso acho que no fundo precisava de um amigo. Um alguém com quem ser eu mesmo.

Sobre ser um assassino, na verdade não foi por escolha minha, já que as primeiras lembranças que tenho da minha infância eram dos <<ovos cozidos>> que minha mãe tinha o costume de fazer. Na verdade, ela é o que chamamos viúva negra, mas ao contrário de simplesmente se livrar do meu pai, o deixou apenas como alívio sexual.

É como se fosse hoje, ela se arrumando e indo à caçada. Horas depois estava nos braços de um desconhecido qualquer, que logo iria ter seus testículos arrancados e preparados, tal qual se faz com ovos de granja ou coisa assim. Nesses momentos eu raramente estava fora do berço, que por um acaso era ao lado da cama…

Mas que ignomínia a minha! Conheço quase tudo sobre você, e sem querer fui desenrolando as palavras sem ao menos dizer meu nome. Sabe que uma pessoa como eu é conhecida por vários nomes, mas dentre todos o que eu mais gosto é Júlio da Rocha.

Acho que tenho cerca de 36 anos (sinceramente não sei quando nasci), aparento boa saúde e bom coramento de pele, apesar de já não a ter mais…

Sem contar apenas com o que eu herdei dos meus pais, ao longo da minha vida consegui (sem falsa modéstia) aperfeiçoar as maneiras de se fazer uma pessoa qualquer morrer. Comecei com animais já que era o que eu tinha mais à mão, mas logo senti a necessidade do desafio. Realmente ter em suas mãos alguém lutando por sua vida é algo indescritível.

Mas minha vida no crime teve seu début no momento em que consegui descobrir o mesmo prazer que minha mãe tinha ao se aproveitar de um homem mais desavisado. Lembro que removi com critérios quase cirúrgicos todos os pêlos do meu corpo, adaptei uma calça de mergulho com apenas um furo na frente… Bons tempos!

Não tenho como transcrever em palavras o momento que foi ter aquela vagabunda se debatendo para se livrar das minhas mãos em seu pescoço, enquanto a mantinha de quatro e socava com fúria seu cú todo rasgado. Só de pensar nesse dia, sinto o cheiro dela e a firmeza do meu pau se faz presente. Que dia!”


O Eterno dos Dias


uma estória vista no XV EIRPG, 2007

3041

Ó divina força que move a roda do mundo!
Trago-te toda a beleza e me coloco aos seus pés,
Para de ti nunca sairás pois
Meu coração não deverá possuir a santidade.

3035

Dessa guerra eterna e sangrenta
Nasceu aquilo que muitos viram como impossível
Quando a viu soube pela primeira vez
Que ela jamais a seria e por isso
Que se lancem os dados e o que está escrito se faça!

3040

No único instante em que se encontram;
Momento que precede a autora dos tempos:
Sem fim, melancólico e sangrento.
Percebem artífices de vendeta, a vingança sutil

3058

Poderia ali mesmo dar cabo de si mesmo,
Através do sangue dela
Tentou porém fazer mais
E para a guerra se foi.

3039

Sabe que nunca retornará,
Não precisa…

0000

Pois o que é dele será eterno!