Categoria: Opinião

Odeie seu ódio


 
 

Não há muito que falar sobre o massacre de crianças em Realengo, e não aceito nenhum tipo de comentário relacionando esse fato com o referendo do desarmamento realizado em 2005, nos mostrando que 59.109.265 (63,94%) dos brasileiros são a favor que ainda carreguemos armas de fogo.

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São dois terços da população que aceita sermos um dos países que ter a maior incidência de crimes por armas de fogo do mundo, na frente até dos países africanos e árabes, onde se aprende a atirar antes de saber ler. Eu não consigo entender, mesmo numa mente sociopática, o que motiva a pegar uma arma e sair atirando, ainda mais contra crianças.

A manchete do jornal pernambucano, “12 mortos. 190 milhões de feridos” é bem pontual ao fato em si, mas pouco resolve nossos maiores problemas sociais – racismo, intolerância e a indiferença. Massacres a moradores de rua, arrastões nas praias, assédio moral, bullying são coisas mais do que comuns.

Tudo em nome de um poder que sequer existe. Há mais de 200 anos as pessoas afirmam que o dinheiro e o modo de produção sustentado por ele é prejudicial à saúde, e mesmo assim não deixam de desejá-lo, esse vadio!

Quer dizer, foi preciso um crime hediondo para que as pessoas pensassem no que está certo, e no que desejam ser certo? Desde ontem a maioria de nós verborragia opiniões e culpados, se esquecendo de que a culpa é toda nossa.

Somos culpados quando deixamos de amar as pessoas em nossa volta;

Somos culpados quando falamos bobagens;

Somos culpados quando não temos fé;

Somos culpados quando não honramos nossa herança, matamos ou deixamos de ser castos;

Somos culpados quando roubamos e mentimos, ou desejamos aquilo que não é nosso.

E para isso, não há solução.


Algo que as todos se perguntam…


 
 

William-Burroughs
 

“Mas porque as pessoas se viciam em drogas?

Geralmente ele não tem essa intenção. Ninguém acorda um dia e decide se tornar um viciado em drogas. Isso leva ao menos três meses de “dois tapas diários” para que vire um hábito. E você não sabe que realmente é até que tenha conseguido vários hábitos. Levei quase seis meses para conseguir meu primeiro hábito e, em seguida, alguns sintomas leves de abstinência. Acho que há um exagero em dizer que demora cerca de um ano e centenas de injeções para formar um viciado.

As perguntas, claro, podem ser feitas: Por que você não tenta os narcóticos? Por que você continua a usá-lo por tempo de se tornar um viciado? Você se torna um viciado porque não tem motivações substanciais a outro caminho. Quem ganha é o lixo. Tentei por mnotivo de curiosidade. E dava uns tapas sempre que podia. Acabei viciado. A maioria das pessoas com quem conversei relatam motivos semelhantes. Não começaram a usar drogas por qualquer motivo, recordam. Eles só caminham em linha reta até que o vício esteja consolidado. Se você nunca teve um vício, só pode ter uma ideia clara do que significa essa necessidade especial. Você não decide ser um viciado. Certo dia acorda doente e é um viciado.”

Junkie: Drogado[bb], de Willian S. Burroughs[bb], 1953


Saúde pra dar e vender, episódio final


 
 

Será que estamos todos sãos e salvos?

 

cerebro-transtorno-psicologia

 

Quanto a estarmos salvos, nem precisa falar, pois todos sabem que estamos fadados a sofrer cada vez mais e mais nas garras da natureza enfurecida que só quer nos sacolejar e derrubar no chão (de preferência com pedaços de prédios por cima), nos tragar para dentro da terra, nos soterrar com lama, nos alagar e nos matar de afogamento, de escassez de alimentos, de sede, de frio ou de calor. Nesse sentido ninguém está a salvo. E, verdade seja dita, nós merecemos.

Mas será que ainda dá para ficarmos realmente sãos no mundo de hoje? Pode parecer pessimismo, mas do jeito que as coisas caminham, creio que não, pelo menos não nos 99% (sim, porque 100% é impossível). E digo o por quê.

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