Categoria: Opinião

Mestres do bolo solado


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No dia 15 de outubro de 1827 o nosso querido Pedro I decretou o Ensino Elementar no Brasil. Pulando ‘um pouquinho’ para o dia 15 de outubro de 2012, devo confessar que fiquei contente em estar livre do meu estágio obrigatório da faculdade de Letras Português/Inglês e poder descansar um pouco, pois ontem os alunos das duas escolas nas quais faço estágio de observação, decidiram, como sempre fazem, organizar a festinha de Dia do Professor (e eu gosto mais quando se diz Dia do Mestre). Foi feriado e o aluno que passa o ano inteiro desgostoso por ter que fazer as tarefas tem o maior prazer em ir para sua cozinha e fazer aquele bolo que parece sola, aquele brigadeiro a ponto de açucarar (no frio de 40° daqui do Norte) e levar aquele guaraná de 2L que chega lá já frio, e não gelado, e ainda esquenta antes dos parabéns e da entrega de lembrancinhas.

Bom, deixando a festinha de lado, confesso que o estágio obrigatório está me deixando cada vez mais chocada. Chegar em uma sala de aula de 9º ano, com alunos de 14 a 16 anos e ter que se deparar com uma professora realizando ditado de palavras é pra chocar alguém que, com 6 anos de idade subia na parede de livros da avó e derrubava tudo para poder pegar um para ler, assim de brincadeira, por pura curiosidade e pelo prazer de ler. Eu poderia até levar uma bronca e ficar com a promessa de umas palmadas pela bagunça, mas corria da peia com o livro na mão. A professora se justificou quando eu perguntei o porquê daquela tarefa: “Me vi obrigada a fazer isso pois eles não sabem escrever. Não conhecem as palavras”. O choque aumenta quando descubro que a Secretaria de Estado de Educação baixou a média de 7,0 para 5,0. O que será que está acontecendo? Na minha época, na escola particular (que se dava o maior duro pra pagar) a média era 8,0. Porque isso agora? Acho que os alunos não conseguem mais alcançar os 7,0 pontos de média em cada bimestre. Tiveram que descer ao nível deles por não conseguirem estimulá-los a subir, e também para que o índice de reprovação não gerasse uma vergonha estadual nas estatísticas.

Petra-SmideliuszTive minha experiência de apoio em sala de aula, tirando dúvidas, ajudando com tarefas etc. Saí com a mão cheia de papeizinhos dobrados, que eles utilizavam para jogar uns nos outros (clássico!), e o queixo arrastando no chão com tanta falta de entendimento. Uma tarefa de leitura e interpretação de texto com 3 perguntas simples, toma mais de 50 minutos de aula, pois os alunos passam o tempo todo reclamando que está difícil, que não sabem as respostas, mas não querem ler o texto, querem a resposta pronta. Só querem terminar a tarefa para ganhar um visto e acumular décimos para passar de ano.

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Tolkien, suas línguas élficas, e o Esperanto


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Dia desses me perguntaram sobre de onde surgiu o Esperanto, e porque minha decisão de estudá-lo. A mesma resposta que dei segue nessas linhas, porém com um pouco mais de pesquisa e conteúdo.

Como todo adolescente viciado em cultura pop e nerdices em geral, desde cedo tive conhecimento da literatura fantástica de J.R.R.Tolkien (1892-1973), com seus orcs e elfos, batalhas épicas e coisas do tipo, e é claro que em determinado ponto, se acaba conhecendo os idiomas Quenya e Sindarin: as falas dos Elfos de sua obra.

Sobre o Quenya especificamente, até tive a chance de estudá-lo através do Conselho Branco, uma entidade sem fins lucrativos criada para estudar e divulgar sua obra fantástica como escritor, professor e filólogo.

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Também não é segredo nenhum que desde sua juventude, Tolkien se divertia criando línguas, como podemos acompanhar em seu ensaio “Um Vício Secreto” (publicado em The Monsters and the Critics, págs. 198-219), de 1931. Pode-se afirmar inclusive, que toda sua literatura foi apenas um pano de fundo para que seus idiomas tivessem uma “história”, pois ele mesmo afirmou que “a criação de idioma e mitologia são funções relacionadas”.

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A tal da cultura da internet


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Muito se fala hoje em dia, desse apanhado de coisas em torno da internet, e o que vai ficar para o futuro, em relação aos usos e costumes que estamos habituados. É muito clara, até por questões biológicas, que tudo o que existe hoje é o que vai ser o padrão nos próximos anos (e também porque ninguém vive para sempre, bom, ninguém menos o Niemeyer).

Até mesmo, repito a máxima que tem se adotado nas últimas semanas, que é o conceito do “eu sou a lenda”. Basicamente: o que é fato verdadeiro e o que é conto de fadas?

Claro que cada vez mais, toda a cultura da internet que conhecemos ocupa o espaço “daquilo que é real” em contrapartida à quem não está em volta dela, a cultura off-line, que neste conceito assume o papel “daquilo que é lendário”.

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Não é espantoso de se afirmar, ou mesmo descobrir qual é a identidade cultural do Vivendocidade, ou mesmo de seus autores e convidados. Nós somos imigrantes digitais, nascidos antes da internet e da mesma forma, a maior parte de nossos leitores também o são. E temos orgulho disso.

É errado assumir que as redes sociais criam relacionamentos fracos e sem substância? Ou mesmo aquele vídeo que teve zilhões de visualizações não passa de dois irmãos cantando mal? Para nossa alegria, esse questionamento está cada vez mais em nossos cadernos, e de certa forma, nos atrapalham (os autores do site) de pesquisar coisas novas, ou mesmo escrever sobre isso.

Hoje existe um conceito chamado TLDR (too long; didn’t read / muito longo; não li), que é usado para mostrar que o leitor não leu o texto todo, uma vez que ele é excessivamente longo.

Quer dizer, o que é “legal” ou “da moda” é o conceito de foto engraçado-bizarra e no máximo, uma frase que a explica. Isso somado à teoria do muito, imaginem.

Sinceramente, me recuso a aceitar que a comunicação será desse jeito.