Depois da renúncia do ditador egípcio, Hosni Mubarak no último dia 11, muitas pessoas desejaram que o mesmo acontecesse aqui no Brasil. Claro que, ao contrário dos egípcios, temos certa liberdade de escolha, eleições periódicas e tudo aquilo que rege um regime democrático e a princípio, não teríamos motivo de protestar contra o governo.
E antes que eu seja apedrejado, explico os motivos das quais uma manifestação do porte da que aconteceu na Praça Tahrir não teria efeito algum.
Para quem já era nascido, a última manifestação de massa que tivemos foi o movimento dos caras pintadas, que foram às ruas para pedir o impedimento (impeachment) do Presidente da República, sob grave denúncia de corrupção.
Há muito tempo atrás, eu traduzi um post do WikiHow sobre “Como deixar de ser Tímido” (se você não leu, é obrigatório parar esse texto e ir até lá, principalmente a parte dos comentários).
Te espero…
Voltando, de maneira simples, esse texto falou apenas de como quebrar aquele gelo inicial que quase sempre acontece quando nos deparamos com alguma pessoa ou situação nova.
Sobre essa questão, e conforme lemos nos comentários do post, noto uma tendência a associar timidez com relacionamento amorosos.
Os acontecimentos no Egito me levam a fazer várias confabulações, dos mais diversos assuntos e das mais diversas opiniões.
Creio que a agitação dos egípcios é digna de nota nas mais diferentes formas de imprensa do mundo. Mesmo com as tentativas do governo de Mubarak de cercear o direito a informação, as pessoas lutam bravamente para protestar, curiosamente de forma pacífica, e tentar derrubar um ditador que está no poder há mais de 30 anos. Quem partiu para a ignorância foi a polícia e os simpatizantes do governo.
Curioso que em um desses dias alguém tuitou sobre o fato de manifestantes terem subido em um veículo militar e praticamente desfilarem protestando em cima do carro do exercito. A cena, aparentemente hilária, mostra que o exército também pode querer um final diferente para os protestos.
Todos sabem que o Egito é um importante aliado dos EUA na região. E alguns sabem também que eu sou um entusiasta dos EUA, quando o assunto é ciência e tecnologia. Mas nem por isso vou deixar de criticar e questionar as atitudes dos americanos. Como pode um governo que se julga ser o líder do mundo livre, na pessoa do presidente do país, manter relações estreitas, inclusive fornecer ajuda militar vultuosa a um ditador?
Por fim, para não me alongar muito, fico imaginando se algo parecido acontecesse no Brasil, ou para tirar um presidente, ou para derrubar um Congresso vergonhoso, como é o do nosso país. Confesso que tirando o Collor, não houve nenhum outro presidente que me levasse a pensar na possibilidade de protestos. Já quando o assunto é o Congresso, poderíamos dizer que as manifestações deveriam ser bem fortes inclusive.
Eu já acho que se o Congresso fosse no Rio ou em São Paulo, mais de uma seriam as ocorrências. Estando longe, em Brasília, eles ficam um pouco afastados. Mas os Congressistas visitam seus estados de origem, andam pelas ruas. É melhor se cuidar!
Voltando ao Egito, espero que esses movimentos ponham fim à vida política de Hosni Mubarak, nome que ouço falar desde quando era criança pequena lá em Bananal. Mas que isso também não signifique que o poder no Egito caia nas mãos de malucos fundamentalistas.