Cowboys, Aliens e Novas Formas de Distribuição de Conteúdo


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Enquanto escrevo este texto, Cowboys e Aliens está sendo disponibilizado por mais de 3 mil pessoas e sendo baixado por quase 1/3 desse mesmo tanto, de acordo com o maior site de distribuição de arquivos torrent da internet.

E nos feeds leio que essa semana a Netflix chegou a Pindorama oferecendo seu eficiente negócio de aluguel de filmes e séries pelo PC, a preço módico e com o primeiro mês grátis.

 

netflix-pipoca

 

Tanto a Netflix quanto o BitTorrent são o que posso chamar de desbravadores de um novo Velho Oeste. O primeiro é um pioneiro na distribuição legal de conteúdo pela internet, tão revolucionário que quase levou à bancarrota a Blockbuster. O segundo é o mais popular e utilizado sistema de distribuição de conteúdo ponto a ponto, capaz de transformar redes como a do eDonkey2000 e KaZaA em desertos sem vida. Ambos, apesar de através de maneiras diferentes, acertaram um público exigente e fiel àquele que quer conteúdo, mas não quer se deslocar (tanto) ou pagar (muito) por isso.

Por outro lado, temos instituições que se colocam numa posição, no mínimo, ambígua. Querem prover conteúdo, mas não aceitam que ele seja distribuído de forma diferente da delas. São exatamente os aliens desse novo Velho Oeste, aqui em Terra Brasilis representados pelo Ecad, que entre outras coisas ameaçou impedir a realização de O Maior Show do Mundo, aqui em Recife (TROLLFACE). Para mais sobre o Ecad troglodita, veja aqui, no Overmundo o que anda acontecendo com os músicos do Brasil.

A internet é a forma de distribuição de conteúdo mais lucrativa que pode existir. Pergunta para o Steve: depois de um ano (!) após sua abertura, a iTunes Store tinha um faturamento na casa dos milhões (!!), vendendo música a US$ 0.99 (!!!). Tamanho sucesso fez surgir muitas e diversas music stores para os mais diferentes gostos, chegando inclusive ao mundo livre por meio da Ubuntu One Music Store.
Mais: bandas como indies como Severed Fifth disponibilizam seus discos para download no site, deixando a cargo do ouvinte pagar o quanto a música vale e se quiser (Coldplay fez a mesma coisa no passado, lembram?). E para não dizer que não falei de vídeos, produtoras de filmes e séries independentes se apoiam na rede BitTorrent para distribuir suas produções, como A Lonely Place for Dying e Pioneer One. Os tempos mudaram, e somente as grandes produtoras e distribuidoras não querem aceitar isto.

Hoje, montar e manter um centro de mídia, baixando conteúdo legal ou não e ligado a um televisor ou a um monitor de largas polegadas para assistir na sala com pipoca e guaraná, não é o absurdo de caro como há três ou cinco anos atrás. E enquanto os aliens continuam tentando comer nossos cérebros, os cowboys vão descobrindo novas formas de vencê-los, e ganhar algum bom dinheiro com isso.