Crônica sobre pessoas carismáticas


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Vamos falar um pouco sobre uma pessoa carismática, na visão weberiana, como ela surge e se transforma com o tempo, como exemplo o nosso ex-presidente Lula.

Quando se fala em carisma no meio acadêmico, logo pensamos no Sociólogo Max Weber, alemão que dedicou a maior parte de seus estudos buscando uma compreensão entre a sociedade e o comportamento do indivíduo, assim como a maioria dos sociólogos, só que, este firmou o seu nome na galeria mundial como sendo um dos maiores sociólogos do século XX.

Ele nos diz que uma sociedade é permeada de relações entre os indivíduos, com interações objetivas e subjetivas, normatizadas por leis ou uma relação guiada simplesmente pelos costumes. Dessa forma, uma “figura carismática”, consiste na capacidade pessoal de um líder em atrair para si a atenção de uma parcela de um público disperso (assim como aconteceu com os ex-presidentes Lula e Collor).

Alguém possuidor de dons especiais obtendo uma reciprocidade de aceitação, por parte de seus seguidores, criando uma espécie de “veneração” ao indivíduo, a quem são atribuídas faculdades extraordinárias, rompedoras dos costumes cotidianos, seja por revelações místicas, pelos discursos ou força intelectual.

Portanto, o carisma é uma capacidade transitória e extraordinária.

Mas, geralmente, com o tempo, tende a se rotinizar (também aconteceu com os ex-presidentes citados); ao ser regularizado e rotinizado, tornar-se gerador da tradição. A “dominação carismática”, segundo o autor “é especialmente irracional no sentido de não conhecer regras”, portanto, é revolucionária. Porém, a “dominação tradicional” também nasce vinculada aos precedentes do passado, mas pautada em regras, a figura do líder carismático é substituída pela crença cotidiana na santidade das tradições.

Vamos às formas de dominação na visão weberiana…

A teoria da “dominação” de Weber aponta três formas específicas de dominação:

1) a “dominação carismática” conforme descrita acima;

2) a “dominação burocrática” baseada na crença na legitimidade das ordens estatuídas e do direito de mando daqueles que, em virtude dessas ordens, são nomeados para exercer a dominação legal; e

3) a “dominação tradicional” baseada na crença cotidiana na santidade das tradições vigentes desde sempre e na legitimidade daqueles que, em virtude dessas tradições, representam a autoridade”.

Este tipo dominação tem um perfil patriarcal remetida à essência da autoridade, a um chefe de família, pai ou um parentesco; firma-se em um sentimento de fidelidade introduzida na educação e formação de hábitos familiares. A dominação tradicional possui um perfil diferente da estruturação legal ou burocrática, esta, se solidifica pelo conhecimento e competência racionalizada do quadro administrativo com estatutos, normas, e funções rotineiras.

Estas formas de dominação também podem estar combinadas em determinados contextos, como é o caso da religião, onde os poderes carismáticos, tradicionais e burocráticos podem se manifestar concomitantemente.

Embora alguns sejam melhores no circo… Outros são extremamente burocráticos, aliás vivemos em um país burocratizado.

Duvida? Vá até uma repartição pública qualquer, pode ser a de seu bairro, de preferência uma bem pequena.

Vamos aos fatos

Os princípios fundamentais da burocracia, segundo Weber, são a Hierarquia Funcional, a Administração baseada em Documentos, a Demanda pela Aprendizagem Profissional, com Atribuições oficializadas e há uma Exigência de todo o Rendimento do Profissional.

A obediência, portanto, se presta não à pessoa, em virtude de direito próprio, mas à regra, (estas não faltam em nossas repartições), que se conhece competente para designar a quem e em que extensão se há de obedecer.

Dessa forma, se a dominação carismática tem o poder de fechar na figura do líder sem apresentar um dinamismo e sem uma estabilidade mais concreta, ao entrar em contado com a realidade social real e fortemente estruturada, este carisma tende a desaparecer, seja pela falta de continuidade dos dons, ou pela a falta de credibilidade, em caso de substituição do líder, ou mesmo se tradicionaliza (se inclinando às normas mais burocratizadas), como ocorrem com os nossos candidatos “bonzinhos”.

Dentro desse contexto, quando um candidato deseja receber a coroa de rei subir a rampa do Congresso Nacional, se inicia o processo de institucionalização, com as características mais burocráticas, com uma delimitação explícita dos domínios de competência e hierarquização regulamentada das funções, com a racionalização correlativa das remunerações, das “nomeações”, das “promoções” e das “carreiras”…

Para quem pensava na figura carismática do ex-presidente Lula, as evidências estão ai, fresquinhas.