Da pirataria, compartilhamento de conteúdo, jailbreak e afins


 

 

Em uma época onde não sabemos onde começa ou termina a produção/consumo de conteúdo, por associação, temos por sintoma também a falta de limitação no que se refere aos direitos e deveres das pessoas enquanto seres de uma sociedade (levemente) organizada.

pirata

Ainda mais com a extrema evolução das ferramentas de trabalho, ao mesmo tempo em que a consciência da coletividade borg é extremamente lenta, temos um verdadeiro samba do crioulo doido com nossa base de arquivos.

Veja bem, por um lado é de se supor que no ato da compra de, por exemplo, uma música, automaticamente todos os direitos de usos e fusos relacionados a ela passarão a ser direito do comprador, e até certo ponto, isso não deixa de ser verdade, como no caso dos aparelhos celulares, que com o incentivo de algumas operadoras e a aderência em massa da população, conseguiram estabelecer que o vínculo entre a empresa e o cliente está no contrato celebrado por eles e não na comercialização do respectivo aparelho.

De um ponto de vista grosseiro, a regra do jogo atual coloca no mesmo saco aquele trollzinho que se considera o super hacker do mundo, só por ter lido uns dois tutoriais na internet, pego fazendo download daquele filme gravado em algum cinema meia boca no interior da Rússia, com tripé e pessoas passando na frente, com aquele que possui uma rede de influências e vários pontos de venda na Rua Santa Ifigênia, 25 de Março e Stand Center…

Esses lugares, os maiores pontos de comércio de ilegais de São Paulo, de tão especializados na cara de pauzice, deveriam ser tombados pelo órgão de patrimônio histórico paulista.

A lei os trata como iguais, mas aqui no canto da tela, nós dois sabemos que não são iguais, e tampouco deveriam ser atendidos pela mesma lei.

Neste caso, acho que só o deputado Tiririca pode nos ajudar, ou não.

O diretor, autor e roteirista norte americano Francis Ford Coppola, por sua vez acha que os artistas não deveriam ser pagos, lembrando o que acontecia lá nos idos de qualquer ano a muito tempo atrás, onde um compositor só era pago, juntamente com todos os artistas, numa excursão ou algo do tipo.

Não havia um setor responsável em ouvir todas as músicas de todas as rádios para no fim do dia, listar quais artistas deveriam receber este ou aquele direito. E por mais que essa função seja absurda, ela existe de fato.

O assunto é polêmico, ainda mais porque o fulano acima só é um dos maiores diretores do cinema, não o Zé Mané da esquina, que espera pagar as contas no final do mês com aqueles shows que faz na boate (ainda existe esse nome?) no final de semana.

É o caso da RetroPunk Editora, que na campanha de lançamento do Rastro de Cthulhu, livro de regras de RPG baseadas na literatura fantástica e sobrenatural de HP Lovecraft, ofereceu a uma parcela de compradores, uma versão digital do livro, como forma de reconhecimento do trabalho de licenciamento e tradução, etc.

Algum gênio, só pode, colocou esse arquivo para download em algum servidor obscuro de Coruscant e aí amigo, se caiu para a interwebs, já era! Um abraço!

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