Demissão: O que fazer depois

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Vamos combinar: ser demitido é uma experiência ruim. Principalmente se você estabeleceu relações pessoais com seus colegas de trabalho e imediatos (é raro, mas há chefes que se tornam mesmo seus amigos). Mas, assim como a morte é a inevitabilidade da vida, o desemprego é a inevitabilidade do trabalho — cedo ou tarde, seu chefe vai chamar você para uma conversa nada agradável.

É o fim?

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Claro que não. O desemprego é um daqueles momentos que podemos chamar de ritos de passagem, um momento de reequilibrar as forças ao seu redor e direcioná-las para uma situação melhor. Não é fácil perceber o que fazer com a oportunidade à frente, por isso continue lendo para saber como reconhecê-la e o que fazer para aproveitá-la.

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Antes, retroalimentação

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Ou feedback, para os viciados em anglicismos.

O feedback deve ser a primeira coisa que você deve fazer quando é demitido. Pergunte aos seus ex-colegas de trabalho, se ainda tiver contato com eles, o que pode ter feito de errado para ser demitido. Às vezes, pode ser algo tão corriqueiro que nem percebemos, mas nossos colegas (e, principalmente, nossos chefes) podem nos dar uma luz sobre o assunto.

Se sua relação com a chefia sempre foi boa, chame seu ex-chefe para conversar e seja sincero com ele; pergunte o que motivou sua demissão e o que poderia ter feito para evitar esse momento. Mas se ele se negar a falar, não o culpe: há casos de processos trabalhistas de reintegração nascidos (e ganhos) porque um ex-imediato falou demais dos motivos para um ex-empregado, então a maioria dos chefes não costuma dividir esta informação.

Também se pergunte o que levou à sua demissão. Afinal, ninguém é demitido por motivo nenhum realmente; às vezes nossos problemas em certas áreas (como a família, o relacionamento, as atividades ociosas) interferem tanto que somos prejudicados no todo e nem percebemos. Outras vezes nosso próprio comportamento em relação à cultura da empresa nos leva à sala do RH mais cedo do que gostaríamos.

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Faça uso mais consciente de sua indenização

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Se você estava formalmente no mercado de trabalho, com carteira assinada e direitos em dia, você terá direito a uma indenização composta do termo de rescisão do contrato de trabalho e do FGTS (acrescido em 40% do valor acumulado); adicionalmente, você poderá fazer jus ao seguro-desemprego, igual a aproximadamente 90% do seu último salário ou a média dos três últimos, o que for maior, por até cinco meses.

Evite fazer uso da indenização para compras-fim supérfluas, como uma televisão com trocentas funções, por exemplo. Lembre-se, você está desempregado e, a menos que se reempregue imediatamente, você só contará com este dinheiro para se manter. Liste suas despesas fixas (aluguel, água, eletricidade, comida) e evite gastar mais que isso. Mesmo que você não tenha uma vida própria composta de contas para pagar e/ou filhos para sustentar, ainda é melhor controlar-se que pedir dinheiro aos pais para tudo.

Tente se focar em compras-meio: um computador, por exemplo, pode se tornar uma fonte alternativa de renda enquanto você não se recoloca, se você é bom digitando textos.

Encare a possibilidade de fazer um curso — de idiomas, de informática, ou mesmo de petróleo e gás ou soldagem industrial. Além de evitar a ociosidade, você poderá fazer contatos importantes para uma futura recolocação. Pague à vista e negocie um bom desconto por isso.

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Voltando ao mercado

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Todo mundo, percebendo isso ou não, estabelece ligações importantes relacionadas ao mercado de trabalho. Os entendidos chamam isso de networking, e é importante que você atente para ele.

Fazem parte de seu networking colegas de faculdade, ex-chefes, ex-colegas de trabalho, professores, colegas de curso, ex-clientes e mais uma imensidade de outras pessoas. Quanto maior sua rede de contatos, melhor.

Faça uma lista de seus contatos, converse com eles, informe-lhes de sua situação e coloque-se à disposição caso surja uma oportunidade — mesmo que em posição inferior à que você estava, situação que pode servir de avaliação para uma posição melhor.

Ao preparar seu currículo, inclua nele o que andou fazendo enquanto desempregado; a estratégia é passar a ideia de que não ficou parado esperando as coisas acontecerem, mas tratou de fazê-las acontecerem.

Mas se desde a formatura você nunca mais falou com os seus colegas de faculdade, não espere um reencontro jovial. Networking é uma prática.

Em tempo: a revista Você S/A de janeiro tem uma matéria importantíssima sobre networking. Confira!

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Por fim… bom recomeço!

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Ser demitido não é o fim do mundo. Visto por suas potencialidades, o desemprego pode ser um momento importante para repensar o que você tem feito de efetivo para manter-se empregado e correr atrás de ao menos diminuir suas deficiências e aumentar suas competências.

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