Dias de fúria! 21 anos do congelamento das nossas poupanças


 
 
Quem não se lembra das medidas econômicas do Presidente Collor de Mello?

 

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Essa semana, especificamente no dia 15 de março fez 21 anos o que o presidente Collor implantou da noite para o dia um conjunto de reformas econômicas com a intenção de estabilizar a inflação que até então andava solta, de “trem bala” e não “a cavalo” – como diz o mineiro – na economia brasileira.

Para os mais jovens que devido a pouca idade não se lembram, vale a pena retomar um pouco da história.

Entre os 22 candidatos que concorreram às eleições de 1988, Collor de Melo era apontado como vencedor já no primeiro turno, e dentre outros motivos, por ser o “Messias[bb]”, rico, bonitão, porte atlético e praticante de esportes radicais, dono de um português de dar inveja…

Seu adversário direto, Luis Inácio, ou melhor, o Lula – olha o homem ai – era o um tipo de antimessias, operário de São Paulo com uma péssima gramática e um inconfundível jeito de proletário (que não perdeu até hoje). Convenhamos uma concorrência desleal.

Nos debates exibidos nas TVs brasileiras, sobretudo o da Rede Globo, pouco se falou de propostas, deixando a cena para uma disputa ideológica, até certo ponto, entre o feio e o bonito; e não foi preciso fazer profecias para saber quem ganharia as eleições.

Fernando Collor de Melo começou a sua investida política assumindo o manto de um cavaleiro cruzado, que salvaria a donzela em perigo do dragão da corrupção. O seu público alvo eram os “marajás”, os poderosos que desfrutavam do bom e do melhor à custa do contribuinte brasileiro. E nós, meros mortais acreditamos nisso.

Para que tenham uma ideia, uma semana antes de o Collor assumir a presidência, resolvi trocar alguns móveis da minha casa, possuía uma pequena poupança e devidos aos boatos que já circulavam em nossa sociedade das novas medidas econômicas, resolvi gastar o pouco do que havia poupado. Que loucura!

Cabe aqui uma consideração aos mais novos: há 21 anos o dinheiro era outro, que na prática não tinha valor nenhum, uma vez que a inflação fazia com que o mesmo produto aumentasse de preço várias vezes ao dia. Sim, para comprar a janta, se fôssemos de manhã era um preço, outro no meio do dia e um mais caro ainda à noite…

Voltando… Da noite para o dia, acordei com míseros 50 mil Cruzeiros na poupança, que em dinheiro de hoje conseguiam comprar por volta de 100 Reais. Vejam bem, todas as poupanças passaram a ter exatamente esta quantia, que segundo o governo, era mais do que suficiente para o mês!

Dormi pobre e acordei miserável, com a sensação de um sonho ruim, um pesadelo, daqueles que mesmo acordada pedia alguém para me beliscar. Mas era verdade, nosso suado dinheiro estava bloqueado, negado, todos, inclusive as empresas ficaram paralisadas porque as reservas financeiras que usavam para realizar os seus pagamentos estavam congelados.

Bom, para resumir a loucura, ficamos com uma pequena quantia para se alimentar por uma semana, o mínimo do mínimo, literalmente a pão e água. E como não há nada que não possa piorar, assim como quando você se abaixa lá vem o galo Gaudêncio respirar no seu pescoço, três dias depois desse rolo todo, quem estava à minha porta? O cobrador da loja que me vendeu os móveis! Eles sem dinheiro, mas com posse dos meus cheques –todos sem fundos -, e eu sem os meus cheques, mas com os moveis deles.

O resto, todos (que prestaram atenção na aula de história) se lembram, Collor renunciou, o Plano Real[bb] foi um marco para nossa economia, a maior parte dos brasileiros recorreu ao Judiciário para conseguir reaver suas poupanças, que até hoje julga as ações e decide se temos razão em receber o que foi tomado.

Pior de tudo, em toda nossa história, esse foi “apenas” um dos confiscos feito pelo governo, o quarto deles.

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2 comentários sobre “Dias de fúria! 21 anos do congelamento das nossas poupanças”

  1. Eduardo Leal disse:

    Me lembro muito pouco dessa época, mas lembro muito bem da fúria das pessoas da minha familia em relação a esse plano…especialmente do meu pai, que ofendia verbalmente Dona Zélia e sua trupe.Ouvi dizer que muita gente se matou por causa dessa situação, não sei se é verdade, mas imagino, que ir dormir com sua poupança recheada e acordar no outro dia sem nada, deve ser mesmo uma situação desesperadora.
    Enquanto o povo não aprendera votar, coisas desse tipo poderão acontecer novamente.

  2. Isaias Malta disse:

    Na guerra entre o sapo barbudo e o príncipe, sempre ganha o príncipe!

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