Sabemos que quando inicia-se a campanha eleitoral os candidatos apelam de diferentes maneiras. Mas o PT, como não poderia deixar de ser, rompeu todos os limites do aceitável na ocasião do lançamento da candidatura de Dilma Roussef.
Por motivo legal, aqueles que detêm cargo público precisam se descompatibilizar de suas respectivas atividades para poderem então concorrer aos cargos eletivos de seus interesses. Desta forma Dilma, que oficialmente participava do governo Lula (ao menos no papel, já que ela era um zero à esquerda), deixou seu cargo (sic) assim como o governador de São Paulo, José Serra. O prazo para essa ação termina hoje, 2 de abril.
Mas o PT não poderia apenas lançar uma candidatura, tinha que promover de alguma forma essa aberração política, que é a candidatura da Dilma. E fez isso anunciando o PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento, fase 2), que pretende investir nos próximos anos, R$ 1,59 trilhões principalmente em energia e habitação.
O caráter político deste evento é mais do que evidente. Sabe porque? Porque os números do PAC 1 são pífios, em relação ao estimado e concluído até o momento.
Segundo informações da BBC Brasil publicada no jornal “O Estado de S. Paulo”, 40% do dinheiro previsto para o PAC já foram utilizados, mas apenas 11% dos projetos foram concluídos de um total de 12.163 obras previstas. O resultado chega a ser constrangedor. Isso sem falar de irregularidades que o TCU (Tribunal de Contas da União) vem apontado na execução destas obras.
Os resultados são realmente muito fracos, mas o presidente insiste em antecipar a campanha política (já foi multado duas vezes por isso) e tenta usar isso a favor de sua candidata. Será que eles acham que nosso povo é tão ignorante assim?
Da forma como foi concebido é mais do que esperado que o próximo presidente engavete os projetos que ainda nem saíram do papel, mas que honre as obras iniciadas. É o mínimo que se pode fazer e que os que estão de saída se contentem com esse pouco. Tenho certeza que não será difícil.
Alexandre Carvalho, 34 anos, Biólogo em formação, crítico e jornalista amador, é editor do Cotidiano Nacional e escreve às sextas-feiras para o Vivendocidade.
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