eU ESCreVU aXXIm!!!11!


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De maneira rápida: qual a capital da França? Quantas copas do mundo a Itália tem? Claro que temos essas respostas na ponta da língua, ou mesmo com um pouco de lógica, sabemos ao menos do que se tratam. Entretanto, ao sermos questionados sobre fatos e coisas mais simples, nosso desempenho nem sempre vai ser tão bom.

Perguntas como “que tipo de flor o vizinho do apartamento ao lado colocou na porta” ou “quantos votos são necessários para eleger um deputado” as vezes parecem muito complexas para que tenhamos as respostas imediatas, ou mesmo temos uma dificuldade imensa em entender o que foi perguntado.

No último sábado, quando estava na Bienal Internacional do livro, e conversava com o pessoal da fila (sim, isso é possível até para mim) durante a sessão de autógrafos do livro “A Batalha do Apocalipse” de Eduardo Spohr, percebei que as pessoas ficaram impressionadas pelo fato de eu reconhecer a caricatura do escritor Mário Quintana, e de ter lido algumas de suas obras.

Questionados sobre as aulas de literatura da escola, uma das respostas que tive foi: “A aula é muito chata, e a professora fala demais, e todos aqueles livros…”

E em outro momento: “Já tentei ler um livro desses, mas não entendi nada” na qual perguntei qual o livro em questão (Senhora, de José de Alencar[bb]) e emendei algo como “Aurélia era uma mulher diferente, etc”.

Meu espanto foi ter se tornado a atração do zoológico, pois era impressionante como eu sabia dessas coisas todas e tal.

É importante salientar a afirmação que já fizemos sobre as mudanças na forma de comunicação, como causa desse distanciamento entre as pessoas e a academia, e os efeitos colaterais estão aí em todo o canto.

Ao abrirmos mão de descrever uma palavra ou sentença completa, substituindo para um “LOL”, “WTF” e absurdos como “temço” “comofas” e “corrão”, estamos reduzindo o idioma de tal maneira a ponto de não sermos mais capazes de compreender ideias abstratas. É a novilíngua orweliana tomando forma.

George Orwell (1903-50), notável escritor inglês, anotou em seu “1984” que a atividade do “duplipensar” (um dos termos da novilíngia) é característica que serve como norma diretiva aos detentores do poder, permitindo que lemas e bandeiras sejam utilizadas em sentido oposto, dependendo do uso ou conveniência.

Dessa forma, ele nos mostra um Ministério do Amor que pratica a tortura. Além dos lemas do Partido: “Guerra é Paz”, “Liberdade é Escravidão” e “Ignorância é Força”.

A diferença principal, entretanto, é que na obra esse controle é feito pelo governo de forma a manter as pessoas no controle. Aqui no mundo real, nós mesmos é quem fazemos isso.

O Grande Irmão, aquele que zela por nós, agradece.

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Um comentário sobre “eU ESCreVU aXXIm!!!11!”

  1. Fabíola disse:

    Te entendo perfeitamente. Também viro bicho de zoológico de vez em quando ao conversar com alguns amigos. Se passamos alguma informação aprendida na escola ou faculdade, lida em livros, revistas ou mesmo em lugares da internet que tem mais conteúdo que presta, acabamos virando “aberrações” e recebendo as clássicas perguntas dos antiintelectualistas: “Como é que tu sabe disso?” ou “Onde tu aprendeu isso?”. Quando não, ficam chamando atenção de todos pro fato de você “saber de tudo um pouquinho” como se isso fosse 100% verdade ou como se fosse coisa absurda ser curioso ou gostar de ler. Até constrange. E das vezes em que eu me queixei disso recebi a absurda sugestão de mudar meu jeito de ser e pensar pra me encaixar no grupo uma vez que ninguém entende o que eu falo. Às vezes da vontade de nem conversar mais com ninguém e me trancar com minha Bíblia, meus livros, minhas música, filmes e artigos.

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