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Um assunto que sempre volta à pauta em época de eleição é o da escolha do vice qualquer coisa. Tanto que o candidato da oposição, José Serra, já confirmou: escolha do vice será no último minuto. (Ou nas suas próprias palavras: “escolhemos esperar até o fim”).
Claro que essa escolha define quem é aliado de quem, e como será a estratégia do candidato nas urnas, mas além disso, o vice não é o candidato que as pessoas escolhem nas urnas. Explico.
Nas eleições municipais, estaduais ou a presidencial, o candidato mais votado é diplomado no cargo e passará a exercer o mandato pelo tempo determinado, coisa e tal. Caso ele seja impedido, viaje ou qualquer situação, sai o titular e entra o reserva.
Só que em caso do titular sair de forma definitiva, o vice recebe então a coroa e o cetro do poder, com a responsabilidade de terminar o mandato.
Essa situação criou anacronismos como José Sarney, que sendo uma lembrança dos militares (ele era do PDS, partido que nasceu com o fim do ARENA e gênese do PP e do antigo PFL, atual DEM) na chapa de Tancredo Neves (1910-1985), ganhou de o cargo “presente” quando este veio a óbito em 21 de abril, numa sequência de acontecimentos que fariam os conspirólogos sambarem de êxtase.
Ou mais recente Gilberto “economista, engenheiro civil, empresário, corretor de imóveis” Kassab, que em 2006 se tornou prefeito da maior cidade brasileira, após renúncia do seu titular. Na época, um político quase desconhecido da população em geral.
Ao longo dos anos, entretanto, nem sempre foi assim.
Noutras épocas, ser vice era a mesma coisa que ser o segundo colocado. Desde a proclamação da república em 1889, e oficializado na Constituição de 1891.
Quando voltou na Constituição de 1946 (o cargo foi extinto no período conhecido como Era Vargas), mesmo com algumas diferenças, era essencialmente neste modelo, o segundo candidato mais votado na eleição.
Essa sistemática só se alterou agora, pois pouca gente sabe, mas nossa atual Constituição foi feita para uma República Parlamentarista, aquela onde existe o presidente e o primeiro-ministro.
Nesse sistema de governo, os partidos são fortalecidos, uma vez que eles são quem dão o aval para o exercício do governante. E esse fortalecimento só existe à medida que há a participação das pessoas em suas bases, pois como o voto é distrital, os políticos sempre concorrem em suas regiões de origem.
Simplificando: quantos candidatos que você nunca ouviu falar aparecem te pedindo voto? Todos? Agora imagine se os candidatos que te pedirão votos são somente aqueles que trabalham na mesma região em que você mora. Facilita na hora de escolher e cobrar resultados, não é?
Como o plebiscito realizado em 1993 decidiu manter a forma e o sistema de governo atuais, a tal da coalizão no parlamento só existe enquanto for de interesse entre as partes. Que literalmente dividem entre si o espólio de guerra que é o serviço público-eletivo.
Talvez por isso que a bandeira vice-presidencial do Brasil seja parecida com um tabuleiro de Ludo, aquele jogo onde deve-se dar a volta inteira no tabuleiro e chegar no objetivo antes que os adversários…
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