
photo by jijis
Dias atrás me encontrei com um grande amigo de pós-graduação que há muito não via. Depois dos abraços e troca de informações primárias, logo aprofundamos os assuntos familiares.
Só para informação, em 2003 ele já era casado, mas não queria ouvir falar em filhos, argumentava que não tinha tempo suficiente para acompanhar a trajetória do “seu baby”, mesmo porque, tinha pouco tempo de casado e acabado de assumir a promotoria do Estado… Enfim, sua esposa, o trabalho e os estudos eram a sua meta.
Na época eu já era mãe de dois filhos e sempre dizia à ele que a minha vida mudou depois que passei a ser mãe. Narrara que na época, apesar de ter apenas vinte e dois anos, me senti dez anos mais velha depois do nascimento do meu primeiro filho. Era muita responsabilidade!
Falava para ele que a minha alegria era outra, os meus projetos haviam mudado, os sonhos incluíam os filhos, casa, educação, trabalho, tudo girava em torno de minha família e que tinha trocado alguns amigos e amigas (casais que não têm filhos não curtem muito sair com filhos dos amigos).
Nos papos idos de faculdade, ele dizia que era loucura, primeiro queria curtir o casamento, trabalhar, estudar, viajar, descansar, mas filhos, estes não! Definitivamente, não entravam no rol de prioridades, aliás, parecia um pouco de aversão por parte dele.
Para minha admiração, no dia do nosso reencontro, o meu amigo, que continua trabalhando na área jurídica, atualmente como Juiz do Trabalho, estava “derretido”, foi logo falando comigo: “como aconteceu com você (…) fiquei velho, o meu filho nasceu”!
Feliz da vida com o nascimento de seu filho, com a sua missão de educador, cuidar, ensinar e principalmente passar seu carinho de forma integral ao seu filho. Dizia-me que o seu tempo ficara mais longo, ou, às vezes, parecia que o relógio andava depressa demais…
Fiquei pensando nos casais que casam apenas por alguns meses, ou alguns anos, ou ainda, enquanto durar a felicidade, e, por “sorte” concebem filhos na constância dessa experiência matrimonial. Faço uma pergunta: constituir uma família não requer um planejamento para o futuro com mudanças de hábitos, readaptações sociais, familiares, etc., além de encontrar a sua cara metade “perfeita ou quase perfeita”?
Lamentavelmente o que assistimos são pessoas cada vez mais despreparadas, jovens brincando de casar, ou para melhor expressar, jovens “brincando de casinha”, uma “curtição”, o dia da noiva, as festas, os presentes, o corte da gravata etc., não que isso seja pecado, não!
Mas, construir uma família requer muito mais que isso. Precisamos estudar mais sobre as responsabilidades que gira em torno de uma construção familiar.
Penso que para se construir uma família não basta gostar, beijar, fazer juras de amor eterno, como ouço muitas vezes, mas, necessariamente, precisamos passar por planejamento familiar, entende-se como conjunto de ações que têm como finalidade contribuir para a harmonia perfeita do casal incluindo filhos, educação, moradia, conforto, qualidade de vida, condições sociais, culturais e seus níveis, conforme seus princípios de necessidade.
Sobre o meu amigo… Percebi que não era aversão o que ele sentia antes de ser pai, na verdade, ele trabalhava melhor as questões sobre o futuro, se preparava, planejava, amadurecia a sua relação matrimonial, e, junto com a sua companheira faziam as renúncias necessárias para enfim constituir uma FAMÍLIA.
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Adorei o post. Conseguiu expressar bem meu pensamento sobre esse assunto. Acho que vou recomendar que minha mãe leia este post. Quem sabe assim ela se convence de que há tempo certo pra tudo e para de me cobrar um neto e me chamar de encalhada e recalcada.
Prezada Lola, vejo desta vez partilhamos a mesma opinião.
Agradeço muito a sua participação, as opiniões serão sempre bem vindas.
Abs
Marina