.

.
Alguns dias por aí, Sheldon e Leonard, os caras legais da astrofísica anunciaram mais um planeta fora do sistema solar, relativamente perto da nossa velha Terra, pouco mais ou menos de 20 anos luz na constelação de Libra e mimimi.
O alarde todo é que existe uma chance de que ele seja capaz de sustentar o nosso padrão de vida, com os cachorrinhos correndo, passarinhos cantando todas as manhãs e “amirando” em nossas cabeças cansadas. E por algum motivo, todo mundo já está pensando em juntar dinheiro para comprar passagem, sentar na janelinha.
Claro que até que o dia em que meu filho (que é tão gênio quanto eu) chegue por lá, nós temos mesmo é que nos contentar a viver nossas vidas muitas vezes mais ou menos, e assim como na hipótese de morarmos nessa Super Terra, nós temos uma facilidade imensa de esquecer nossas raízes.
Quer um exemplo que acontece com o amigo do vizinho de um primo seu?
É só ele começar a praticar ioga yôga yoga yóga que rapidamente compra dezenas de livros sobre o assunto, começa a se vestir e se portar como se fosse um indiano nato, quem sabe até programa sua próxima viagem para lá, etc.
Todo mundo sabe que ele só quer mesmo é conhecer algumas posições diferentes do Kama Sutra para xavecar a nova estagiária, mas shhhhh, é segredo!
Todos nós, enquanto povo, temos nossa própria cultura, ou aquilo que nos identifica, até mesmo a metrópole mais fictícia do mundo, Dubai, tem a sua identidade, e é essa energia que faz girar todas as rodas das praças do Rotary Club em todo mundo, mas também que faz com que as pessoas sejam próximas.
Guardem esse conceito, mais pra baixo eu volto nele.
Karl Mannheim (1893 – 1947), um judeu que deu um chute na bunda do Hitler, já morando em Londres, escreveu um livro chamado “Ideologie und Utopia” (Ideologia e utopia), de 1929, que é considerado seu mais importante escrito. Nela, ele afirma que todo ato de conhecimento não resulta apenas da consciência puramente teórica, mas também de inúmeros elementos de natureza não teórica, provenientes da vida social e das influências e vontades a que o indivíduo está sujeito.
Trocando em miúdos para quem não entendeu, ele disse que o meio em que a pessoa vive também influencia na formação da personalidade, não apenas aquilo que ele herda.
Voltando ao tal do conceito que vocês guardaram aí em cima, é por isso que hoje em dia existem muitas coisas tidas como “normais” ou “comuns” e que antes eram bem diferentes.
O exemplo mais clássico (e mais polêmico) disso é o aleitamento materno, que teve seu discurso fortalecido durante os anos do século XX.
Antes disso, as mães davam seus filhos para as amas de leite.
Gostou do Post? Leia outros relacionados: