Sabendo da dificuldade do eleitor em escolher de forma sensata seus candidatos, seja por problemas educacionais ou mesmo por achar que têm uma ideologia (apesar de nem saberem o que ideologia significa) e que devem seguí-la, resolvemos publicar esse Guia das eleições municipais em São Paulo para ajudá-lo a escolher dentre os principais candidatos a prefeito. Lembrando que São Paulo é apenas a maior e mais importante cidade brasileira, por isso nosso empenho em ajudar os milhões de eleitores registrados nos cartórios eleitorais da capital, inclusive este redator que vos escreve.
Que me desculpe se algum candidato não for relatado aqui, mas eu diria que não foi por escolha nossa ou por desprestígio. Se você é candidato a prefeito de São Paulo e seu nome não está aqui, ou eu não sei quem é você ou eu não tem nada o que falar sobre você. Como diria um antigo conto, ser mencionado aqui pode ser sorte ou azar, depende do que vem depois.
Os candidatos aqui retratados, por ordem de lembrança, são: José Serra, Fernando Haddad, Paulo Skaf, Netinho de Paula, Soninha Francine, Gabriel Chalita e Celso Russomano.
José Serra:
para votar em Serra é necessário saber que o candidato do PSDB tem um único sonho na vida, que é ser presidente da República. E não adianta ele prometer que cumprirá o mandato até o fim porque nós já vimos esse filme, e o resultado chama-se Gilberto Kassab. Mas se ainda assim você é um tucano convicto (ou alienado) e pretende desperdiçar seu voto no Serra, procure conhecer bem o seu vice. Só assim você ficará satisfeito ao final de 4 anos e não com cara de “não sei” como ficam hoje os eleitores que no passado “compraram” o Serra e receberam o Kassab. Eu diria que é um típico caso de gato por lebre, mas nesse caso foi um típico caso de lebre por lebre.
Fernando Haddad:
O candidato do PT é um pseudo intelectual da USP, que só está aparecendo hoje por causa da ascensão do PT. Do contrário, seria apenas mais um professor universitário. Quando esteve no ministério da Educação colecionou fracassos no ENEM e a saída foi deixar o governo para então tentar a empreitada de ser prefeito de São Paulo. Só que em menos de uma semana fez uma coisa certa e uma coisa errada, e como sempre, optou pela errada. Escolheu Erundina como vice, o que fez inclusive esse redator a quase prometer o voto ao petista, e perdeu o voto deste mesmo redator ao apertar a mão de Paulo Maluf. Eu inclusive votaria nele mesmo com a presença do Maluf, apenas e tão somente por causa da Erundina. Que bom para mim que a Erundina é mais sensata do que eu e recusou, pelo menos por enquanto, passar por esse constrangimento que é ter o “Dr. Paulo” como companheiro de campanha. Ganhando a eleição, Haddad seria mais um Zé Ninguém a chegar à prefeitura de São Paulo. O outro? Celso Pitta, curiosamente também aliado de Maluf. Afinal, quem esquece essa frase: “Se o Pitta não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim”?
Paulo Skaf:
o todo poderoso “dono” da Fiesp, Ciesp, Sesi e Senai até parecia uma pessoa sensata, inteligente, empresário de sucesso, que se preocupa com a vida das pessoas, etc, etc. Tenho inclusive um colega que trabalha com ele e teceu vários elogios e parecia ser uma boa opção para a cidade, até que abriu a boca e então tudo veio por água abaixo. O sr. Skaf está horrorizado como a China consegue comprar matéria prima do Brasil, fabricar produtos e vender aqui no Brasil mais barato que os produtos brasileiros. Apesar de ser muito bem sucedido na vida e ter mais oportunidades que a maioria dos brasileiros, o presidente da Fiesp parece não saber que os produtos da China são de péssima qualidade, que na China não existe um tal de Direitos Humanos (nota do editor: existe, este aqui), que na China há o trabalho escravo, o trabalho infantil e que os operários chineses são muito mal remunerados. Assim é muito fácil conseguir preços competitivos. O pior é que isso é tão nítido e simples que qualquer um sabe, mesmo que simbolicamente, que a China não é um bom exemplo.
Netinho de Paula:
confesso que esse indivíduo nem deveria ser objeto de nossas considerações. Um cara que nasceu pobre, ganhou dinheiro cantando uma porcaria de música – porque nós somos expert em comprar porcarias – e na primeira oportunidade, saiu da comunidade onde morava e “fugiu” para Alphaville, um bairro onde só moram novos ricos, porque quem têm dinheiro de verdade não se misturam com pobres que ganharam dinheiro. Netinho pode ganhar o dinheiro que for, mas sempre será pobre. Deixou problemas pessoais invadirem sua vida pública e perdeu a linha com um repórter de um programa de humor. Imagina o que fará se chegar a prefeito de São Paulo? E tem outra coisa, porque não vai ser prefeito de Carapicuíba, que é o buraco de onde ele saiu, já que se preocupa tanto com os “manos”? Na cidade ele tem um projeto social e talvez por isso ele considera que já faz demais para a cidade. Não sei quem é mais coitado, se ele ou seus eleitores.
Soninha Francine:
o grande destaque de sua vida foi revelar que um dia já usou maconha e então ficou marcada para sempre como “Soninha Maconheira”. Não tem o menor perfil para política, mas poderá ganhar vários fotos, principalmente de adolescentes e senhores acima dos quarenta anos. Recentemente li no twitter que, logo após figurar em uma propaganda partidária, Soninha virou a musa de muitos eleitores. O comentário principal era: “ela não diz nada de concreto na propaganda, mas pelo menos está bonita”. Pois é, caro leitor, muitas vezes é assim mesmo que se define um voto.
Gabriel Chalita:
Esse jovem candidato eu conheci há muito tempo, quando ele era seminarista. Que pena de desistiu de sua vocação para fazer papelão na vida pública. Primeiro porque disse recentemente que todos os seus livros são bons, e depois porque fez um papel discreto como secretário de educação do estado de São Paulo. Caro Chalita, quando fazemos uma coisa, temos que deixar as pessoas julgarem, e não ficar falando que o que você faz ou fez é bom. É o mesmo que escrever algo no Facebook e você mesmo curtir, é ridículo. Mas, talvez por ter cara de bom moço, conseguiu se eleger vereador e deputado federal. Em seu último devaneio, se transferiu para o PMDB e agora ser prefeito de São Paulo.
Celso Russomano:
Esse senhor também é outro que não merecia nem ser citado por nós, mas como pe dificil esquecer sua trajetória, precisamos lembrar ao cidadão de onde saiu isso. Esse senhor era aquele que metido a repórter, invadia a casa, os estabelecimentos e a vida das pessoas com o pretexto de contribuir para a solução dos problemas. Me lembro bem um dia que levou uma canetada no pescoço por ter invadido a vida de uma pessoa. Quando era mais jovem eu torcia para que ele levasse mesmo porrada das pessoas com quem se metia. Era desprezível e não prestava nenhum serviço relevante à comunidade, apenas necessidade de se aparecer para tentar se tornar popular. Alguma coisa deu errado. Mesmo assim, figura como segundo na pesquisa recentemente divulgada, o que nós desprezamos, levando-se em conta que grande parte do eleitorado carece de senso do ridículo.
Caro Leitor, como ouvi recentemente, São Paulo não é uma cidade viável e talvez por conta disso possui tantas opções inviáveis para as próximas eleições. É uma pena que a maior e mais rica cidade do país tenha tantos “pobres” concorrendo ao cargo de prefeito. São Paulo merecia coisa melhor, ou não.
Diante do exposto, não tenha vergonha de no dia da eleição apertar a tecla branca, votar no 99 ou simplesmente sair da cidade. Eu usarei uma dessas opções, pela primeira vez na vida.