O Brasil, segundo dados da Unesco publicados no curitibano “Gazeta do Povo” em janeiro deste ano, é a 15ª maior taxa de repetência no ensino fundamental entre os 150 países avaliados (o primeiro lugar pertence a Burgundi, com 28,8%).
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Como se não bastasse estarmos neste ranking da vergonha, o MEC/Ministério da Educação recomendou que todas as escolas públicas e privadas do país não reprovem mais alunos matriculados nos três primeiros anos do ensino fundamental (de 6 a 8 anos de idade, em média).
Se for homologada pelo ministro Fernando Haddad, a resolução entra em vigor em 2011, mas não terá força de lei, ou seja, só adota quem quiser.
É um assunto polêmico, pois se de um lado sabemos que o processo de aprendizagem não é absorvido da mesma forma pelas crianças, e até certo ponto, a repetência só resultaria (para elas) num término mais tarde de seus estudos (evasão escolar também é apontada como reflexo), também sabemos que tal proposta visa apenas esconder para debaixo do tapete um problema crônico de gerações, e que envolve vários setores da sociedade.
Temos professores desmotivados, recebendo salários de fome e muitas vezes despreparados para apresentar a matéria aos alunos; salas de aula superlotadas; pais e responsáveis incapazes de cuidar de seus filhos; mudança das formas de comunicação constantes…
Em outras palavras, o problema se resume na lei de compensação de forças: de um lado há ausência do poder público e de outro, a falta de cidadania.
Claro que seria fácil, algo que realmente acontece, tomarmos algum partido nessa questão, apontarmos pontos fortes e fracos, e ficar por isso mesmo. Essas atitudes não levam a nada!
Nós precisamos entender, antes de tudo, que absolutamente tudo o que existe no Brasil, pertence aos brasileiros. Aqui é a nossa casa.
Fazendo uma brincadeira, você deixa que alguém que não confia entrar na sua casa e tomar decisões por você? Você deixa que lhe digam o que é melhor? Espera que alguém passe na rua, e te ofereça comida e roupas para se vestir?
Essa passividade com que aceitamos as coisas aqui é talvez nosso maior problema. Seja ao jogarmos lixo na rua, estacionar em lugar proibido, ou mesmo ao alfabetizarmos nossas crianças.
Afinal de contas, de nada importa – se tal medida entrar em vigor – não reprovar as crianças, se quando se tornarem adultos, mal saberem ler e ter noções básicas de lógica.
Taxa de analfabetismo é só um número num papel, se for só isso o que as pessoas se interessam.
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