No inicio desta semana a Rede Globo iniciou um quadro dentro do Jornal Nacional, de visitas às escolas públicas por uma equipe de jornalistas e especialistas na área de educação em todas as regiõs do país. O JN no Ar pretende mostrar a realidade de alunos e professores de escolas de primeira à quarta séries do ensino básico. A primeira região escolhida foi a Região Sul, sorteada no domingo passado pelo programa Fantástico. Os sorteios são realizados de um dia para outro com a intenção de surpreender as escolas visitas no dia seguinte e com isso a escola visitada não terá tempo para “arrumar” a casa.
Bacana, pois assim os brasileiros irão conhecer de fato a realidade educacional das nossas escolas e de que maneira estão sendo educados os nossos filhos, responsáveis pelo futuro do Brasil em alguns anos.
Bom, logo na primeira visita já presenciamos os famosos contrates apontados pelo IDEB – Índice do Desenvolvimento da Educação Básica –, uma escola com um índice elevado: 6,6, portanto, considerada ideal e outra escola bem pertinho com um índice muito abaixo do previsto em lei, de 3,6; tudo isso acompanhado por especialista da educação.
Outras questões que também considero importantes: essas escolas recebem verbas iguais? Os professores serão avaliados. E depois desta avaliação, esses professores receberão incentivos do governo para buscar melhoria profissional e com isso beneficiarão suas escolas? Os professores com pós-graduação melhoram as condições físicas das escolas?
O que se viu na reportagem foi uma escola sem infraestrutura que não possui sequer um refeitório e na outra, os professores se orgulhavam das condições físicas das salas além da sala de informática, biblioteca e a boa titulação dos docentes.
Um estudo realizado pela UNESCO com dados coletados em 2005-2007 (publicado no site do todos pela educação) alertava para a falta de infraestrutura nas escolas brasileiras. Segundo essa pesquisa, o Brasil investe pouco nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Ela aponta ainda que metade dos alunos em áreas rurais frequenta salas de aula deterioradas, enquanto na zona urbana esse percentual é inferior à 30%. Outro dado relevante é que 54% das escolas “primárias” estão no campo, apesar de representarem apenas 23% do total de matrículas de 1ª a 4ª séries.
A UNESCO aponta também que metade dos alunos de pequenos povoados ou áreas rurais e mais de 25% dos estudantes da área urbana assistem aulas em prédios considerados em más condições. Um dado alarmante é que no Brasil mais de 10% dos alunos estudam em escolas que não dispõem de água potável.
Na análise da condição socioeconômica, a pesquisa apontou que um entre dois (50%) estudantes estudava em escolas cuja maioria ou todos os alunos eram provenientes de famílias com pais que não haviam completado a educação “primária”.
Sobre a jornada de trabalho dos docentes, o estudo também afirma que a proporção de alunos da 4ª série do Ensino Fundamental, cujos professores trabalhavam em mais de uma escola, chega a 29% no Brasil. A participação dos pais e da comunidade na gestão escolar também foi alvo da pesquisa. De acordo com os dados, no Brasil, mais de 75% dos alunos estudavam em escolas que contavam com conselhos escolares.
São tantos contrates que tenho a impressão que tudo isso não vai passar de uma série de reportagens e ponto. Porque na verdade, precisamos apontar não somente as condições físicas das escolas, ou as notas do alunado, o aprendizado de ler e escrever, mas outros fatores também deveriam ser apontados, como por exemplo, as verbas destinadas à essas escolas, como foram aplicadas, orçamentos anteriores e os atuais, os realizados e os não realizados, e assim por diante.
Para sabermos, de fato, onde estamos investindo nosso dinheiro.
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