Lula, o filho do Brasil
Fugindo um pouco de uma regra que adotei no Cotidiano Nacional, que é de não falar de assuntos “na moda”, não pude deixar de aceitar a provocação do Vivendocidade em comentar sobre o filme do Presidente Lula.
Vejamos como as coisas acontecem quando o envolvimento ultrapassa a casa dos bilhões de reais.
Empreiteiras (Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa), resolveram doar o dinheiro para a produção do filme sem a necessidade de acionarem a Lei “colcha-de-retalhos”, mais conhecida como Lei Rouanet sobre o salvatério que de estão confiando no sucesso do filme, que tem expectativa de levar 4 milhões de pessoas às salas de cinema.
Outras empresas também vão ajudar nos mesmos moldes das empreiteiras, como a Oi – que foi autorizada a comprar a Brasil Telecom – Volkswagem, AmBev e Nestlé.
Sem querer defender estas últimas, mas elas poderão estampar suas marcas em cartazes, folder, ingressos, saquinhos de pipocas e copos de refrigerante, contribuindo para a “lembrança” da marca na hora que o cidadão for assistir o cinema e isso certamente gerará uma receita com a venda de seus produtos.
Mas e as empreiteiras? Vão fazer anúncio do que? Será que eu tenho condições uma destas gigantes para reformar o banheiro do meu apartamento? Está óbvio que elas querem melhorar seus contratos, que já são milionários. Em dois anos elas já receberam mais de R$ 1 bilhão.
Não bastasse isso, o filme mostra um Lula quase santo, como se fosse um verdadeiro salvador da pátria. O Presidente tem lá seus méritos, mesmo porque ele não faz o governo sozinho, mas muito que ele conquistou hoje se deve a um conjunto de fatores – Sarney aguentando a fungada no cangote dos militares após a morte do Tancredo.
Itamar dirigindo seu fusca no fim do governo Collor; FHC preparando a cama a custas de privatizações até hoje contestadas – que hoje faz com que o Brasil e o próprio Lula tenham certo prestígio internacional.

Claro sinal dessa situação é o deslumbramento (constrangedor, é verdade) do nosso presidente pelo fato de agora sermos credores do FMI. Ele só faltou chorar.
Por fim, creio que nunca mais na história desse país será tão fácil conseguir dinheiro para se fazer um filme. Até acho que o Presidente Lula tem seus méritos, mas jamais nos esqueceremos de suas inúmeras viagens, suas mais ignorantes gafes “around the world” e da infindável corrupção em seu governo.
Em todos os governos tiveram casos de corrupção, mas sempre tínhamos um Lula e um PT para sair gritando ao vento. Mas e agora?
Podem fazer favor de tirar o meu nome desses números de possíveis “assistentes” desse filme. Esse eu não vejo nem quando passar no SBT. E cá entre nós: não está faltando uma palavrinha no título do filme? Lula, o filho do Brasil.
Alexandre Carvalho, 34 anos, Biólogo em formação, crítico e jornalista amador, é editor do Cotidiano Nacional e escreve às sextas-feiras para o Vivendocidade.
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