“Mercure Cromi” e “Metiolate”

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nostalgia-mercúrio-cromo-merthiolate

First Aid” in photo by Angélica

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Se o nobre leitor tem a idade do Carlos Filho e/ou é oriundo do interior e/ou passava férias longe da capital, certamente vai se lembrar do Mercúro-cromo e do Merthiolate (os termos corretos só fui aprender recentemente) usados para “curar” machucados, geralmente aquelas raladas que a gente dava na perna, joelho, braços, etc, simplesmente por travar uma briga ferrenha com a gravidade.

Creio que o momento de nostalgia promovido pelo Vivendocidade tem um quê de lembranças do interior, motivado por fotos do desfile das escola da cidade, do caráter cívico da data e também das próximidades das eleições.

Em uma oportunidade, apostando uma insana corrida com um amigo, decidimos saber quem descia o morro mais depressa e obviamente eu fui o campeão. É bem verdade que momentos depois estava eu em frente a um ventilador pedindo que a mãe do meu colega passasse Mercúrio, e não Merthiolate (que ardia muito além de te pintar de laranja). Até hoje tenho lembranças daquela sensação.

Outro aspecto curioso era aquele passador, que na ponta tinha uma espécie de “redinha”. Nunca pesquisei a fundo porque o aplicador tinha aquele formato.

Em 2001, o então ministro da Saúde José Serra probiu a venda dos produtos, sob a alegação de que “se tornaram inócuo (não funcionam mais)”. A matéria diz que as bactérias criaram resistência ao medicamento. Na verdade, o medicamento selecionou as bactérias mais resistentes.

Atualmente o Merthiolate (Tiomersal) é utilizado como conservante de vacinas. Apesar disso, o produto é facilmente encontrado em farmácias que vendem pela internet, claro, sem receita.

O que era para ser lembranças dos “bons tempos de outrora” virou um belo conto do descaso das autoridades e da descrença (ou crença) das pessoas que continuam invariavelmente se automedicando. E se o produto está a venda, é porque tem quem compre.

2 ideias sobre ““Mercure Cromi” e “Metiolate”

    1. ccorrea

      quando éramos crianças, o merthiolate fazia parte do castigo (junto com a água oxigenada que também ardia), já que o mercúrio era usado quando em acidentes que não eram nossa culpa…
      depois que costurei os dedos, aos 18 anos, descobri o Povidine, antiséptio cirúrgico à base de iodo, e passamos a usar só esse.

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