Meus 20 centavos sobre o populismo

…ou “Porque o brasileiro adora ser vira-lata”

Muito tem se falado sobre a saída da presidente, petrolão, terceiro turno, e as manifestações que tem acontecido em várias cidades pedindo, entre outras coisas, o fim da corrupção em nosso país. Em outras palavras, tudo se resume em (usando os termos da moda): coxinhas contra petralhas.

Antes de tudo, o assunto é muito complexo para ser resumido em apenas dois conceitos (antagônicos), assim como é impossível também aceitar que o comunismo é o fim de tudo, ou que o capitalismo é o heroi do povo contra todo o mal que existe.

Essa forma binária de rotular as coisas é bem babaca, aliás.

Enfim, eu entendo que não só o Brasil, mas a América Latina como um todo sofre de um mal chamado POPULISMO, onde o cidadão faz qualquer coisa para chegar ao poder, para em seguida, fazer coisas ainda piores para se manter lá.

Um exemplo do populismo na prática, é o discurso das minorias, feito lá nas periferias, que coloca na mente das pessoas que ela é excluída, que não terá oportunidades na vida, que precisa de espaço. A lavagem cerebral é tão perfeita, que essas pessoas aceitam que este grupo, pessoa, partido é capaz de dar tudo aquilo que até ontem nem se sabia que era necessário, e que por isso o grupo, partido, pessoa não pode sair do poder.

Pior ainda, a ideia de troca do grupo, partido, pessoa implica na perca desses “direitos”.

A situação está posta, esse grupo que vamos chamar de minoria, agora age como milícia. Eles são o escudo que defende o grupo que está no poder (qualquer que seja esse grupo), e repetem as mesmas palavras de ordem de anos atrás, evitando assim a reflexão madura sobre os nossos verdadeiros problemas. São os pitbulls pretos, pitbulls feministas, pitbulls quotas estudantis, pitbulls bolsa família, pitbulls sem-terra, pitbulls privatização, pitbulls intervenção militar…

Hoje, qualquer discussão sobre esquerda ou direita, coxinha ou petralha, capitalismo ou comunismo não é apenas irreal, como irrelevante.

Na minha opinião, o final da Guerra Fria, Globalização, Internet como fenômeno de massa, Mídias Sociais deram uma nova roupagem para uma ideia antiga: o de maior ou menor intervenção do Estado (governo) sobre as pessoas.

Sob este ponto de vista, há quem defenda que o governo deva se meter em tudo, investir em empresas estatais, e de certa forma, sustentar as pessoas que o financiam, nós mesmos, através de nossos impostos por exemplo.

Esse modelo adotado pela maioria dos países latino americanos, aparentemente não funciona mais, porque é justamente o que dá sustento para governos populistas. No caso do Brasil, ainda é pior, pois não importa trocar o governo, o resultado ainda será o mesmo.

Devido aos nossos anos de governo ditatorial, o povo se profissionalizou em se ajudar, dividindo o pouco que tinham, a fim de ninguém morrer de fome. Essa consciência social é a mesma até hoje, por exemplo, quando um deputado beneficia uma empresa através de um contrato, ou, quando um parente é contratado sem concurso público.

Somado à isso, o nosso pensamento de escravo, que diz: eu sofri e sofrerei sempre. Em outras palavras, o vitimizado/humilde/sofredor será sempre o mais aceito.

Vocês já notaram que os mais de 60 mil políticos brasileiros, aqueles que foram eleitos, a maioria foi presa, torturada e perseguida (ou seja, o escravo) na ditadura?

O que acontece hoje no Brasil, teve início há pelo menos, 50 anos atrás…

Leitura adicional: FREYRE, GilbertoCasagrande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 49ª Ed. São Paulo: Global, 2004.

 

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