Nem só de orkut e msn vive a internet
Pode parecer estranho, mas mesmo depois de quase 60 anos, o conceito por trás de milhões de computadores interligados entre si, formando uma grande rede neural ainda é nebuloso para a maioria das pessoas.
Se por um lado temos grandes empresas, governos e pessoas focadas o tempo todo em como tornar a experiência dos usuários ainda mais realista, com plataformas de comunicação em tempo real, mídias sociais como o Google Buzz, que permitem não só o consumo de informações, mas também sua geração; temos métodos de educação completamente diferente das que tivemos no passado, fazendo com que nossas crianças nos vejam como verdadeiros extraterrestres.
Por outro lado, por mais que a ordem do dia seja dar acesso à mais pessoas em todos os cantos, é preciso também ter a preocupação de qualificar esse acesso, pois como o título afirma, nem só de Orkut e MSN vive a internet.
Um exemplo real desse problema pode ser visto no seguinte caso, citado pelos guanabaras no podcast sobre Hacker Profissionais:
“Certa universidade gastou algumas dezenas de milhares de reais para montar um laboratório de informática, para que seus alunos tivessem a oportunidade de digitar seus trabalhos, fazerem suas pesquisas, suas aulas etc. Só que depois de um tempo a política de segurança foi revista e alguns sites foram bloqueados, dentre eles o Orkut. É neste momento que uma das alunas pergunta para o admin: “eu não consigo mais abrir o site do Orkut”. “não é mais possível devido a blablabla”, responde do admin. “Então este laboratório não serve mais para nada!” a réplica dela enquanto vai embora”
É correto afirmar que 90% das lan houses deixariam de existir se a Google e a Microsoft deixassem de trabalhar nestas aplicações, mas é mais triste ainda saber que, caso uma delas modificasse o nome/endereço dos sistemas, o tráfego nesses sites diminuiria muito.
Como dizem, muda a cor da grama, o gado morre de fome.
Enquanto as pessoas que se consideram “usuários” agirem como se a internet fosse um pequeno bairro, um clube fechado, não importa o quanto seja investido em infraestrutura e topologia de redes, aumentando a velocidade de navegação.
A coisa só vai começar a funcionar de verdade, se forem levadas em consideração três princípios:
Primeiro, o direito a liberdade, entendendo-se por liberdade a possibilidade de não se submeter aos interesses de nenhum grupo ou pessoa, e não ser discriminado por eles. Por exemplo os provedores de acesso. Segundo, o direito à igualdade, o que permite oportunidades iguais para todos, em outras palavras, o fim das panelas.
Finalmente, é fundamental que haja solidariedade e que haja compartilhamento de todo o conhecimento adquirido. Incentivando a movimentação e circulação dos conteúdos.
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