Nenhuma escola de Inglês quer que você fale Inglês

Eu estava conversando com a minha mãe, e em um dos assuntos, ela me perguntou qual escola de inglês era boa para que ela fizesse matrícula. Minha resposta, sem pensar muito, foi: “nenhuma”. Claro que foi uma resposta muito negativa quanto à qualidade delas, porque devem existir algumas que são sérias coisa e tal.

Pensando nos motivos que me levam a crer nesta afirmação, é claro que poderia defender o uso da Língua Internacional Esperanto como solução para questões de entendimento de língua entre pessoas de países diferentes. Talvez seja devido ao meu estudo nesta língua, que justamente tenho essa premissa contra as tais aulinhas de inglês.

Antes de tudo, poucas pessoas se perguntam, mas qual é o motivo que temos que aprender inglês nas escolas? Acontece que nossa Lei de Diretrizes e Bases obriga todas as escolas a inclusão de uma “língua estrangeira moderna” em seus programas de ensino, sendo a escolha dela a cargo do conselho escolar e da comunidade.

 

tradução simultânea

Se todo mundo fala inglês, por que utilizamos tradutores simultâneos?

 

Então está tudo resolvido! Como todo mundo fala inglês… Só que isso não é verdade.

Segundo o índice de proficiência em inglês da Education First, apenas 7 países não nativos possuem nível elevado nesta língua. Dos países nativos, os falantes de inglês representam apenas 6% dos habitantes do planeta. Eu considero muito pouco.

Mesmo assim, considerando que qualquer escola decida manter esta matéria no programa, estamos falando em pelo menos 10 anos de estudo, e quase a mesma quantidade de tempo, caso a pessoa decida por uma extensão logo após sair do ensino médio.

Com tudo isso, a mesma entidade considera nosso país na categoria de “proficiência muito baixa”. Estamos atrás de Argentina, Indonésia, Vietnã e Japão, para citar alguns. Nota mental: você já viu um japonês falar inglês?

Até a China, aquele país que não fala nem o chinês, está na nossa frente!

A conclusão óbvia para tudo isso é que a forma de se ensinar está totalmente errada. Não existe aquela verdade de que a dificuldade (leia-se culpa) está na pessoa. Não quando todo mundo tem o mesmo “problema”.

Os principais “erros” no método atual

Quando você entra em uma escola de idiomas, já recebe uma tonelada de gramática para aprender, e como exercício prático, começa a traduzir como se não houvesse amanhã.

Isso está totalmente errado!

Quando éramos crianças, a primeira coisa que a gente fez, depois de chorar e cagar na fralda, foi aprender a falar. E como se espera, falávamos pelos cotovelos, não importando se a frase pertencia ao futuro do subjuntivo do pretérito condicional relacional de sei lá o quê.

Nessa idade a criança simplesmente fala, mesmo que errado. Mas fala.

Depois é que vai para a escola fingir que aprende alguma gramática, onde os nomes dos termos são mais importantes do que o que eles significam.

O que falar sobre tradução?

 

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É muito natural entender que não é só a língua que é diferente, mas toda uma forma de pensamento, de articulação muscular, até a forma de respirar não é igual.

Tradução não é simplesmente trocar palavras, tradução é para pessoas experientes, que conseguem captar a mensagem oculta no texto, e encontram a melhor maneira de expressá-las em nossa língua. Um exemplo disso, é a quantidade de significados que a preposição “de” tem no dicionário.

Por fim, em nossa conversa, a conclusão que ficou foi: “então eu nunca vou ser fluente em nenhuma língua?”

Resposta rápida: NÃO!

Por mais que se estude e utilize inglês, todos os dias e em todos os momentos, a pessoa somente será capaz de articular muito bem esta língua (qualquer uma, na verdade), de ser compreendido e tudo o mais. Só que segundo o psicólogo e linguista suíço Claude Piron, quando estivermos neste nível, seremos apenas imitadores dos nativos nesta língua.

Uma ideia sobre “Nenhuma escola de Inglês quer que você fale Inglês

  1. Marina Correa

    Querido Carlos penso que,ainda existe uma maneira de falar em outra língua sem tantos tropeços, tenho amigos que falam sem “sotaques”. Eu tenho uma amiga pesquisadora americana, Erika Helgren, que quando chega em nossa Pátria amada, me liga e fala a nossa língua melhor que muitos brasileiros. Pergunta-se: as escolas americanas adotam outros métodos eficientes, ou realmente estamos “a quem” em nossa escolas?
    Muito bom os teus argumentos.
    Abraços

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