O autocuidado


Segundo o dicionário, autocuidado é a atenção e a ação que se exerce sobre si mesmo para preservar e cultivar uma boa qualidade de vida de maneira responsável, autônoma e livre nas escolhas das ferramentas para sua realização.

É uma possibilidade para observar-se e perceber como está o corpo físico, mental e emocional, e poder agir sobre eles de maneira benéfica e saudável.

AUTOCUIDADO não significa estar “bem” o tempo todo, mas sim acolher os confortos e desconfortos, ver as causas, e escolher agir ou não sobre elas.

Dentro desse ponto de vista, podemos imaginar várias formas de ser autocuidadoso, estando ou não em contato com outras pessoas, é importante frisar, mas acima de tudo, o que tiver que ser que te faça bem.

Entretanto, a sociedade em que vivemos nos dá uma série de padrões e regras as quais somos obrigados a manter, com o intuito de tornar o relacionamento entre as pessoas melhor.

Só que se olharmos com mais atenção, não é bem assim que acontece.

Escondidos por trás de regras comuns ou normais, nós em geral tentamos a todo instante influenciar as pessoas a realizarem exatamente o que nós queremos, ou agirem segundo o que nós entendemos como bom, ou pior ainda, se relacionarem com quem e da forma que nós achamos melhor.

Como historiador, já perdi a conta do número de vezes em que expliquei porque o Colin Farrell, personagem título do filme Alexandre (Alexander) de 2004, que participa uma cena de lesco-lesco com outro soldado, não era gay. Apesar de ter visto a cobra fumando.

Neste caso específico, como em qualquer outra situação histórica, é preciso entender como era a cultura e quais eram as regras sociais daquele povo, sendo praticamente impossível transpor comportamentos fora desse contexto.

Da mesma maneira a historiografia marxista nos mostrar situações de tensão entre extratos sociais em qualquer época, fora daquela Europa da segunda metade do XIX. Mas Caio Prado Júnior foi incrível!

Infelizmente vivemos em uma sociedade ditada por padrões, nos últimos anos, o padrão do bem-estar (Welfare State) e do hedonismo, que no final, dá no mesmo.

A ideia básica que está por trás do hedonismo é que todas as ações podem ser medidas em relação ao prazer e a dor que produzem, e a relação com o estado de bem estar social é justamente a dependência constante a qual nos submetemos em favor de um partido, grupo, ou governante, sendo que na verdade o esperado é o inverso.

Lembro que a primeira frase da cátedra que dizia algo como: “Sociedades evoluídas não precisam de governos nem de governantes. Porque transferir a responsabilidade de suas decisões à outrem, se você mesmo é capaz de tomá-las?”

É importante sairmos desse ciclo de dependência! E somente quando e se formos capazes de aceitar que o direito da outra pessoa é tão valioso quando o meu próprio, mesmo que implique que ela não se vista como você, não vote no mesmo partido que você, não torça para o mesmo time de futebol, não acredite no mesmo deus que você, e até mesmo, não se relacione com o mesmo sexo que você.

Enquanto não tivermos essa noção de grupo, e as minorias continuarem a oferecer pão e circo, nunca sairemos da lama em que estamos.

Ou vocês acham coincidência Copa do Mundo ser sempre no mesmo ano das eleições para presidente?

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