Hoje quero falar, ainda dentro do conceito de excesso de informações, da capacidade de adaptação que fomos obrigados a acelerar nesses últimos anos.
Porém antes disso, alguns conceitos são importantes:
é o período de intervalo que faz referência às diferenças encontradas pelos pais no mundo em que seus filhos vivem, em particular o que se refere aos gostos musicais, moda, cultura e política, e o que é relevante para esses grupos.
Os grupos mais importantes que devemos saber de memória são:
ou as pessoas que nasceram depois do final da Segunda Guerra Mundial e que foram importantes na criação do movimento juvenil dos anos 1960, do movimento hippie e a cultura do excesso e foram chamados de “Yuppies” nos anos 1980. Hoje, os Boomers mais velhos estão se aproximando da casa dos 60 anos e, por enquanto, determinam o modo de vida e os paradigmas gerais da sociedade.
ou geração Pop, que nasceram logo após os boomers e que cresceram em uma nova ordem social, com pais separados, ou casas onde ambos trabalhavam. Foram os primeiros a ter contato com a tecnologia de ponta, a miniaturização, invenção do celular, fim do comunismo, etc. Também são chamados de imigrantes no mundo digital.
são as pessoas que já nasceram numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica, fatores que levaram a realizar diversas atividades, além da escola, como cursos de idiomas, música, natação e afins. Esse excesso de oportunidade contribui em grande parcela para que o excesso de informações muitas vezes citado e explicado, fosse algo natural, e socialmente necessário.
Em outras palavras, as ofertas de interação (MSN, Orkut, Twitter, Facebook, YouTube e muitos outros) não só são dispositivos essenciais como são canais de interação social às pessoas desse grupo. Por associação, eles também são chamados de nativos no mundo digital.
Bom, tendo esses nomes em mente, imagine como é difícil – impossível também é uma palavra válida – para que nosso personagem fictício, chamado mamãe&papai, realize tarefas simples, como sincronizar as músicas a partir do iTunes por exemplo.
Mamãe&papai quer entender como pode ser possível que pessoas totalmente estranhas entre si, estando nos lugares mais distantes do mundo, podem trocar ideias, tirar dúvidas, e até mesmo estabelecerem sentimentos afetivos, sem nunca, porém, terem se visto frente a frente.
Mamãe&papai nunca viajou mais do que 1.000 km para longe de casa, se chegaram a essa distância, enquanto sem nunca ter saído de seu quarto, seu filho – único – sabe detalhes da geografia parisiense e pode indicar o melhor café para se sentar e observar o Rio Sena.
Jon “Maddog Hall, presidente da Linux International, e de onde tirei nosso personagem mamãe&papai em um de seus artigos, comenta da dificuldade que tinha em viajar certa de 750 km para programar o relógio da cafeteira elétrica, e dessa forma seus pais terem café fresco no mesmo momento em que estiverem acordando.
Ele afirma, com muito bom humor, que “mamães e papais do mundo precisam de uma fonte de suporte local”.
Significa que tudo aquilo que aprendemos, inclusive o folclore, sobre comunismo e comunidade, no que se refere ao debate e a transmissão do conhecimento em rede e afins, não só deve como precisa ser compartilhado.
A meu ver, esse é o grande e único segredo de sucesso para que quem seja imigrante deixe de ser, ao mesmo tempo em que as acusações de distraídos, superficiais e até egoístas, comumente direcionadas aos nativos do mundo digital, não existam mais.
O grande desafio da mudança de paradigma encontrado nesses dez primeiros anos do novo século que é, a meu ver, a criação de uma realidade “web-centrista”, onde todas as informações não ficam com seus usuários, mas disponibilizadas por grandes servidores, na frente de grandes empresas como a Google é a dedicação em dois únicos princípios:
Qualquer grupo ou empresa, atividade ou sistema precisa marcar na pele essas regras com ferro em brasa, senão estarão destinadas ao esquecimento.
E tudo o que não se pode ser hoje em dia, segundo Ryan Murphy, é anônimo.
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