Quando paro para pensar no episódio que culminou com o cancelamento das provas do ENEM, que prejudicou 4 milhões de pessoas diretamente além dos inúmeros prejuízos de forma indireta (vários vestibulares estão alterando suas datas), imagino uma história saída de um conto da antiga série “Vaga-lume”.
Para os teóricos da conspiração, toda essa operação foi pensada e articulada por São Paulo (não, não é o santo e nem o time do Morumbi) para “melar” o ENEM. Mas não consigo imaginar nada parecido, apesar de ser um partidário e admirador da Teoria da Conspiração, mas acho que dessa vez eles exageram.
É público e notório que USP, Unesp e Unicamp fazem da forma que melhor entendem seus vestibulares, sua política e até mesmo suas finanças. Se não fosse assim, como as três universidades poderiam gastar quase 85% de seus orçamentos para pagar pessoal?
Talvez a única situação que pudesse demonstrar um interesse maior na não realização das provas seria a presença da Polícia Federal, mas sendo a questão de âmbito federal, vejo com naturalidade a presença e atuação dela. Agora, bem que eles poderiam tornar a vida dos responsáveis pelo furto um inferno.
A única coisa que importa agora é que a nova data está marcada, ocorrerá nos próximos dia 5 e 6 de dezembro, e as Universidades ao redor do país buscam soluções para alterarem seus vestibulares. Parece que as Fatec´s (de São Paulo) foram as primeiras a alterar a data e muitas outras terão que refazer seus cronogramas.
Todo esse prejuízo por causa de R$ 500 mil, valor pedido ao Estado de São Paulo pela prova do Enem surrupiada.
Alexandre Carvalho, 34 anos, Biólogo em formação, crítico e jornalista amador, é editor do Cotidiano Nacional e escreve às sextas-feiras para o Vivendocidade.
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