Onde Vivem os Monstros, adaptação para o cinema de um livro do nova-iorquino Maurice Sendak, publicado em 1963 é, sobretudo, um a fábula sobre nossos medos e fugas.
Seguindo a tradição própria dos contos de fada, não é uma estória totalmente “feliz” ou “água com açúcar”, e muitas das metáforas e reflexões apresentadas passarão em branco para seu público alvo infantil.
Não quer dizer que elas vão se assustar, ou que seja um filme denso, mas a mensagem é clara somente aos adultos. No fim, é um filme que pode ser assistido por toda a família.
Max, personagem central de família fragmentada, solitário e hiperativo, pode muito bem ser nós todos, em qualquer situação cotidiana, e ao fugir para a “terra dos monstros” não percebe que na verdade, nunca saiu de sua mente.
Os monstros, Alexander, o bode carente; Judith, a agressiva; Ira, amável e criativo; Touro, contemplativo e melancólico; Douglas, solícito e companheiro; além da maternal KW, são apresentados como os vários sentimentos, confusos sim, conflitantes entre si também, que podem ajudar ou nem tanto, dele mesmo. E ao conseguir “ver” como eles realmente são, o menino se assusta.
conforme falado pela Fabíola aí nos comentários, faltou o monstro “Carol”
Só esqueceu do Carol que a meu ver é como um retrato do próprio Max e acabou sendo o monstro com o qual mais o garoto se identificou. É como se Max se visse em Carol mesmo que de forma inconsciente. A cara e o tamanho dos monstros assustam um bocado, mas acho que foi proposital também. Afinal, qual sentimento não assusta por menor, maior, melhor ou pior que seja?
Dessa forma, toda aquela coragem, independência, até mesmo a raiva que motivou essa fuga, desaparece, e o que ele quer é retornar para o abrigo.
No fim das contas, é o que todos querem, um porto seguro para sempre retornarmos de nossas aventuras, vitórias, mas também de nossos medos, derrotas, e o que mais nos assusta.
Diretor: Spike Jonze
Elenco: Forest Whitaker, Catherine Keener, Paul Dano, James Gandolfini, Catherine O’Hara, Lauren Ambrose, Tom Noonan, Alice Parkinson, Max Records, Michael Berry Jr..
Produção: John B. Carls, Gary Goetzman, Tom Hanks, Vincent Landay, Maurice Sendak
Roteiro: Spike Jonze, Dave Eggers, baseado em livro de Maurice Sendak
Fotografia: Lance Acord
Trilha Sonora: Carter Burwell
Duração: 101 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Fantasia
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Warner Bros. / Playtone Productions / Wild Things Productions
Classificação: 10 anos
Gostou do Post? Leia outros relacionados:
Só esqueceu do Carol que a meu ver é como um retrato do próprio Max e acabou sendo o monstro com o qual mais o garoto se identificou. É como se Max se visse em Carol mesmo que de forma inconsciente. A cara e o tamanho dos monstros assustam um bocado, mas acho que foi proposital também. Afinal, qual sentimento não assusta por menor, maior, melhor ou pior que seja?