Or Barlade i Vuane Ek


Escrevi este texto em Agosto de 2002, para um projeto de mitologia própria. Na época, eu tinha acabado de ler todos os livros de Tolkien, e estava fortemente influenciado por tudo aquilo. Lembro também que a idéia consistia basicamente em uma sequência de contos e crônicas diferentes entre si, mas que de alguma forma falassem sobre a mesma coisa. Nesse dia, esse texto saiu em praticamente 5 minutos, estava no trabalho e as idéias foram surgindo (naquela época esses momentos eram constantes). Em casa, acho que ainda tenho um dos vários cadernos de rascunhos com um outro conto desta mitologia, que fala sobre um alguém (que não lembro mais) e sua viagem de motocicleta pelas regiões desertas deste planeta, e como conseguia entrar e sair de encrencas com a mesma facilidade com que mostrava o dedo médio.

Or Barlade i Vuane Ek

Sirius

(tradução literal aproximada: Em Barlad a História é)

Antes de tudo, era o nada e do nada surgiu o criador, o Único, que existe desde o princípio, e Ele se chama Látobus e era a maior fonte de energia existente. Tudo estava ligado a Ele e sabia de tudo. De seu trono, percebeu que poderia dar uma parte de sua energia para trabalhos e ações e daí surgiram os planetas, estrelas e todo o universo, e criou também seus guardiães, e os tinha como filhos.

Eram em número de seis e não possuíam forma alguma e o poder de Látobus estava neles e assumiram as virtudes do Pai, e as tudo o mais que suas consciências determinavam. Seus nomes são: Barladan, o guardião mais poderoso que possui a Energia Balanceadora, e cuida dos estouros de energia em Lai, ou o universo criado pelo Um; Pálate, a guardiã responsável pela Energia Ceifadora, eliminando então os excessos no uso e transformação da energia; Kierd, o guardião da Energia de Elevação, e cuida do bom ou mal uso que a energia pode fornecer às coisas; Ot, a guardiã responsável pela Anti-energia, que localiza e destrói e energia que pode ser ameaçadora para o equilíbrio; Kérak, o guardião responsável pele Energia de Transmutação, e cuida do destino da energia contida em todas as coisas; e a última, Ecko, e é a Artífice, cuidando da manutenção da energia.

Apesar de toda grandiosidade de Lai, e do Reino, o Pai não permitiu a seus guardiães o conhecimento do externo e de seus propósitos, e ainda sim havia equilíbrio e harmonia, pois os filhos trabalhavam arduamente em suas funções sem a plena consciência disso, servindo os desejos de Látobus. Durante longas gerações houve prosperidade e o poder contido em cada guardião crescia, e o mais poderoso entre eles desejava os conselhos do Um.

Ele desejava ser como Ele e já tinha visto em sonhos toda a beleza do mundo exterior, e aos pés do trono disse:

_ Pai, por que escondes tudo o que vi? Sabes bem que o poder que nos dá não será capaz de nos manter presos aqui…

_ Cala-te! Será que não consegues compreender meus designos? Com qual autoridade chegas a mim e me desafia?

_ Não te desafio, mas secretamente tenho mantido o desejo de sair e poder controlar as coisas como tu fazes…

_ Já chega! Por sua falta de nobreza, deves partir agora! E que nunca em sua eternidade possas ter êxito em seus designos!

Nisso, o poderoso Látobus se fechou em seus pensamentos e sabia que seu guardião mais poderoso teria grandes êxitos, se assim o quisesse.

Todo o equilíbrio foi então quebrado, e houve terror entre os filhos, e Barladan rumou errante por todo o exterior. Vagou por lugares nunca antes vistos, estrelas de todas as magnitudes, e conheceu muitos povos. Procurou ter guardadas em sua memória tudo o que conseguisse adquirir, e os povos que visitou o serviu nos seus desejos, e o tinha como o próprio Criador; se apresentou a eles como um homem belo e hábil, em qualquer que fosse a atividade, apesar das tristezas que o exílio trazia.

Vagou até encontrar um sistema, e logo percebeu sua juventude, visitou os poucos planetas mas não encontrou vida, e se entristeceu. Com seu poder balanceador, viu uma lua que girava em torno de um “Gigante de Pedra”, que foi como ficou conhecido esse planeta, e logo pôde sentir toda a energia existente nessa lua. Se viu como o Pai, tomando para si aquele satélite, e em todos os lugares dele viu que não havia evolução alguma e se apiedou. Chamou aquele lugar de Barlad.

Interferiu diretamente, utilizando-se de todo seu poder e conhecimentos, principalmente os adquiridos no exílio, em função daquela lua. Moldou rios, mares, continentes, montanhas, e tudo o que se lembrava de outros mundos. Criou também seres, e os chamou de bestas. Dividiu entre elas o domínio de todo o ar e mar, e também das terras. Mas logo se entristecei e viu que suas bestas não o serviam, e nada faziam em sua função.

Deu-se então a primeira grande separação entre os seres, e usou seu poder para dar a capacidade de uso e transformação de energia, que não tinham. Alguns deles tiveram maior capacidade, sendo conhecidos como bestas racionais ou Akos e com menos capacidade, as bestas irracionais ou Gé.

Dentro de cada grupo de Akos ou Gé, formulou uma série de eventos, proibidos de serem citados, para definir quais raças deveriam dominar as outras, e definiu também qual clã nessa raça deveria ser seu representante direto em Barlad, recebendo as Grandes Virtudes.

Dentre os Akos, a raça dominante deveria ser a dos Cink, que tem como característica a extrema habilidade em se adaptar em qualquer ambiente, seja em terra, ou mar ou ar. O clã Cink que deveria receber os dotes reais era o do jovem Heom, o forte e toda sua descendência.

O grupo dos Gé foi comandado pela raça Krolg, e eles eram como uma sub-evolução dos Cink, pois não tinham a capacidade de adaptação; e o clã vencedor foi o do velho Ghûri-n-ban, o hábil e toda a sua descendência.

Somente após terminada a evolução e organização de todo o mundo, Barladan pôde então descansar e procurar renovar a fonte de energia dentro de si, e no longínquo Reino, os outros guardiães também repousaram.

Em segredo, os filhos de Látobus sabiam de todas as ações de seu irmão, e sabiam de seus feitos em Barlad, a lua. Transferiram então partes de suas virtudes para ele e com isso Barladan passou a ter em si a consciência de todos os guardiães, podendo agir como qualquer um em cada situação.

Com todo esse poder, Barladan preparou uma ilha para os escolhidos habitarem mas apenas alguns deles, incluindo o clã real se estabeleceram lá. A essa ilha deu o nome de Lay-Foccus, ou “Ilha do Fogo”. Por muitos anos, os povos viveram em harmonia e houve crescimento, mas cada vez mais inconformados, e ansiando mais poder do que poderiam ter, os Krolgs deixaram de fazer os ritos obrigatórios para Barladan e aos poucos foram perdendo sua grandiosidade e beleza, e se tornaram inimigos mortais dos Cink.

Látobus, sabendo de tudo o que havia acontecido, e o que poderia acontecer, se sentia vencido e humilhado, mas ao mesmo tempo grande e forte, pois sabia que seus filhos e principalmente um deles, tinham atingido a plenitude e seus desejos iniciais.

Fim.

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