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Os 7 hábitos ruins da escrita que você aprendeu na escola

*artigo de Jonathan Morrow para o Copyblogger, traduzido e adaptado livremente por mim

Imagem meramente ilustrativa

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O que é a boa escrita?

Pergunte a um professor de Inglês, e eles dirão que a boa escrita é a gramaticalmente correta. Vão dizer que você deve fazer uma afirmação e sustentá-la com argumentos. Talvez, se eles forem honestos realmente, admitindo suas capacidades acadêmicas – a prosa que se parecer com Jane Austen vai ganhar um 10, enquanto um artigo que poderia ter sido escrito por Willie Nelson ganharia um 8 (ou até menos).

Nem todos os professores de Inglês obedecem a este sistema, mas a grande maioria faz. Basta olhar para a escrita da maioria dos diplomados, e você verá o que quero dizer. Seus textos são bons, educados, polidos apenas o suficiente para não constranger ninguém. Missão cumprida, pelo menos para a maioria das escolas.

Mas deixe-me perguntar uma coisa:

Isso realmente é a boa escrita?

Acho que quando a maioria dos bons escritores lê os que os professores de Inglês escrevem, pensam: “Isto é real. Não tem nenhum sentimento, sem distinção, sem glamour. Você é a única pessoa no mundo que vai ler isso de bom grado. Todos os outros preferem furar seus olhos a ler mais de três páginas desta porcaria entediante.” E eles estão certos.

Compare um ensaio acadêmico qualquer com um best-seller, e vai notar que eles são escritos em linguagens completamente diferentes. Um pouco disso tem a ver com o público-alvo, claro. É natural escrever de uma forma diferente para os acadêmicos do que se você o fizer para as pessoas comuns. Mas a minha pergunta é: quem é que vai gastar mais tempo escrevendo?

Meu palpite: as pessoas comuns – a sua família e amigos, os seus visitantes do blog, o seu chefe no trabalho, talvez até mesmo você ao mandar um e-mail qualquer. Nenhum deles são professores universitários. Nenhuma delas quer ler uma descrição.

Pessoalmente, acho que a boa escrita não tem que ser educada ou com bons argumentos ou mesmo gramaticalmente correta. Ela tem de ser interessante o suficiente para que outras pessoas queiram ler. Muitos do que se formam no ensino médio e universidades falham neste teste, não porque são incapazes de dizer alguma coisa interessante, mas porque o bem-intencionado, mas falho, sistema acadêmico lhes ensinou um monte de hábitos ruins.

Vamos listar alguns deles.

1. Tentando soar como mortos

É triste quando o escritor mais jovem de sua lista de leitura está morto há mais de 100 anos, mas esse é o costume da escola.

Eu não sei exatamente quem decide o que vale a pena ler e que não é, mas eles (quem quer que “eles” forem) acreditam na leitura dos “clássicos”, e a maioria destes é centenária. O pior é que muitos professores acreditam nos clássicos como exemplos de boa escrita, e esperam que você os imite em seus escritos.

Claro que, Chaucer e Thomas More e Shakespeare dentre outros foram os melhores de suas épocas, mas você não vai vê-los na lista dos mais vendidos do New York Times.

Não porque eles não são bons (eram tremendos), mas porque a maioria das pessoas não consegue se conectar com a obra deles. Imitando seu estilo, você até pode fazer alguns professores felizes, mas está, essencialmente, fragilizando a sua escrita aos olhos do público.

Se quiser fazer uma ligação, é muito melhor estudar os escritores de hoje – como Stephen King, JK Rowling, e Seth Godin. Ver o que eles fazem, e brincar com a utilização de algumas de suas técnicas em sua própria escrita.

Sim, você ainda será um imitador da obra de outro escritor, mas pelo menos estará imitando algo que as pessoas querem ler.

2. Esperando alguém que lhe entregue um roteiro de leitura

Olhando através dos olhos de um educador, não vejo por que não dizer ao aluno para escrever sobre o que lhes seria útil. Ter um grupo de estudantes que não pode cuidar, por enquanto, de suas carreiras, e fazê-los escrever sobre suas leituras é uma ótima maneira de forçá-los a ler o material.

Faz sentido… mas isso não torna menos danoso.

Um dos maiores desafios da escrita é descobrir sobre o que escrever. Se estiver escrevendo um memorando, um artigo ou uma carta para sua mãe, o processo é sempre o mesmo: você começa com uma página em branco, e decide o que colocar nele.

Claro, isso implica em considerar o que o público vai querer ler, mas ninguém além de você toma a decisão final sobre o que colocar na página. Esse ato de decidir é o que será escrito é tudo.

3. Escrever parágrafos longos

Vez ou outra é aceitável escrever parágrafos longos o suficiente, e encher várias páginas com grandes blocos de texto.

Não surpreendentemente, essa é a maneira que a maioria de nós foi ensinada: longos parágrafos, sentenças de tópicos bem organizados, muitas argumentações e provas entre afirmações. Foi a maneira “correta” para escrever.

Mas.

Não é.

Mais.

Atualmente, a maioria dos parágrafos devem ter no máximo três frases. Também é uma boa ideia incluir alguns parágrafos curtos com apenas uma ou duas frases, usando-as para pontuar outras mais poderosas.

Não é tanto para ter um tamanho “correto”, mas para manter um ritmo de escrita (e leitura).

4. Evitar palavrões a todo o custo

Eu admito, este é controverso. Muitos escritores excelentes ainda detêm a heresia de não ter lugar numa publicação profissional, enquanto outros malditos… bom, deixa pra lá.

O resto de nós se sente desconfortável ao se perguntar se está tudo bem nos expressar “daquele jeito” ou não.

Então, quem está certo? Acho que Stephen King pode nos explicar melhor:

“Faça uma promessa agora que você nunca vai usar “membro sexual masculino” significando “pau” e nunca vai dizer que “John parou tempo suficiente para realizar um ato de excreção” quando você quer dizer “John parou tempo suficiente para cagar”. Se você acredita que “cagar” seja considerado ofensivo ou impróprio pelo seu público, sinta-se livre para dizer “John parou tempo suficiente para mover suas entranhas”, ou talvez “John parou tempo suficiente para empurrar”. Não estou tentando fazer com que você escreva obscenidades, apenas seja simples e direto.”

Falou e disse.

5. Apoiando-se em fontes

A maioria das crianças que eu conheci odiava procurar fontes e citá-las em seus trabalhos, mas não eu. Entre um Burger King e outro que eu era (e ainda sou) fã, percebi que as fontes eram uma rota de fuga da criatividade. Com citações suficientes de outros escritores, poderia encher um papel inteiro sem ter um único pensamento original da minha própria cabeça.

E eu poderia ser recompensado por isso. Desde o jardim de infância até obter minha licenciatura em Literatura Inglesa, tive notas 10 em não mais do que em cinco ou seis trabalhos.

Eis a razão: muitos professores se preocupam mais com pesquisas seguras do que ideias originais. Eles não querem ver argumentos criativos, desafiando a base de tudo o que temos de ser verdadeiros e ousados para discutir uma nova visão de mundo. Para eles, é muito mais importante que você entenda as ideias dos outros e ser capaz de citá-las no padrão ABNT.

Mas na vida real é o oposto.

Vá por aí citando as fontes de todas as suas ideias e as pessoas começarão a te evitar, porque você é chato pra caramba.

Eles não se importam quem disse o quê, e eles não estão interessados em ouvir a cronologia de uma ideia. O que eles querem ouvir é uma nova perspectiva sobre um tema favorito.

E se vier de você, tudo bem. Se não, tudo bem também.

6. Permaneça independente

Nós somos ensinados que a boa escrita deve colocar o foco sobre o assunto, não no escritor. É emotivo. Ele dá a mesma atenção aos pontos de vista opostos, apresentando-os todos, sem distinguir uma forma de outra melhor.

E às vezes, é verdade. Se você é um cientista, engenheiro ou um médico, então manter seu papel como um observador imparcial é uma ótima ideia.

Você já leu algum material de cientistas, engenheiros e outros chamado “observadores independente”? É chato! Fora alguns círculos exclusivos, você não pode pagar as pessoas para ler.

Para todos os outros, porém, é um desastre.

Se você quer que as pessoas leiam o que escreve, então deve fazer o oposto. Ser mais parecido com Oprah Winfrey, Howard Stern, Gary Vaynerchuk. Eles são opinativos, têm um estilo único, e são propensos a explosões emocionais.

Não é coincidência. Isso é o que as tornam interessantes.

7. Ouvindo “autoridades” mais do que a você mesmo

Quem sou eu para criticar os hábitos de escrita que você aprendeu na escola?

Bem… ninguém.

Sim, eu sou um escritor profissional. Sim, eu tenho certa formação literária. Sim, outros escritores me pagaram até US$ 200 por hora para editar seus trabalhos, e ficam surpresos quando tudo o que fiz foi corrigir alguns erros de digitação.

Mas isso não significa que estou certo. Na verdade, essa é provavelmente a lição mais importante que você pode aprender sobre a escrita:

Ninguém além de você tem autoridade sobre sua escrita.

Não eu. Não seu professor de Inglês. Não o manual de estilo e seus elementos eugenizados.

Quanto mais você escreve, mais você vai perceber que outros escritores não podem te dizer o que fazer. Você deve escutar mais escritores experientes, com certeza, mas nunca mais do que escutar a si mesmo.

Grandes escritores não aprenderam a escrever por cursinhos, por escrever em blogs, ou em livrarias.

Eles aprenderam a escrever a partir de uma página em branco, escrevendo algo goela baixo, e depois se perguntando se deu certo.

Se deu, mantêm. Se não, jogam fora. Então repetem o processo até possuírem alguma coisa que valha a pena.

Infelizmente, a maioria dos escritores não sabe disso.

Eles trabalham sob a suposição equivocada de que existe um padrão invisível do bom e do que é ruim. E temem que a Polícia dos Escritores vá aparecer na sua porta a qualquer minuto, algemá-los e transportá-los para a cadeia por um texto que não está à altura.

Se isso fosse verdade, você não iria ver um único escritor andar na rua sem que um deles tivesse algemas em torno de seus braços.

A verdade é que você está no comando. Você. A página em branco está esperando lá, e você pode preenchê-la com o que diabos você quer.

Então pare de ler isso, seu bobo.

Vá escrever.


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