Kontraŭ Esperantlando
Quando pensamos em mundo globalizado, logo vem à mente as facilidades das pessoas em se relacionar e se entender, seja se comunicando, realizando negócios, sendo felizes em um mundo perfeito. De fato, a maioria das pessoas com um pouco a mais de capacidade crítica entende que no final de todas as histórias, esse é justamente o que deve (poderá) acontecer.
Só que do lado de cá da realidade, nem sempre isso é possível, seja por modismos, incapacidade de entendimento em idiomas, ou mesmo birra entre as pessoas que operam todo o sistema.

Quando o (um dos muitos) projeto de língua internacional foi apresentado para o mundo no final do século XIX, a ideia central era que as pessoas simplesmente se entendessem umas as outras, mas, o francês já não cumpria esse papel na época? Ou o inglês hoje, que é a língua dos negócios e da cultura, do país que faz os melhores filmes e seriados, os mesmos que podem ser baixados gratuitamente em qualquer lugar já não é a língua mundial?
Quando a gente fala de cultura, quase nunca estamos falando daquela que vem de fora, mas de uma cultura nascida no interior das sociedades humanas, que percorreu a história sendo contada por nossos pais, que aprenderam por sua vez dos pais deles, até os homens das cavernas, que desenhavam as paredes com carvão e se reuniam em volta das fogueiras.
Quando a gente pensa em final de ano, ceia de Natal, festas e afins, normalmente vem à cabeça um acerto de contas, como se desse para colocar no mesmo lugar tudo aquilo que aconteceu durante o ano, e o que se espera que seja diferente para o próximo ano, enfim, é natural que as pessoas façam isso. Pensar faz parte daquilo que consideramos como comportamento humanístico.
Isso e o polegar opositor, para quem se lembra daquele curta metragem dos anos 80, chamado Ilha das Flores.

Para nós o ponto alto desse ano foi a participação intelectual do amigo Eduardo Matosinho, que escreveu sobre o pensamento religioso e sobre o surgimento da escola de Chicago, marco fundamental do pensamento sociológico:
Os clássicos da religião e o nosso tempo, parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4;
O surgimento da sociologia nos Estados Unidos.
Outro momento importante para nós foi certamente a análise do nosso idoso de plantão Alexandre Carvalho, que entre outras coisas escreveu sobre o plebiscito no Pará e a quase criação dos estados de Tapajós e Carajás.
E como de costume, timemos outros excelentes posts excelentes todos meus, mentira que merecem ser lidos ou relidos.
Claro que isso talvez não signifique nada, mas vale pela curiosidade.
Para finalizar essa enrolação, comprem o meu livro, pois preciso alimentar as crianças.
Como todos já sabem, a maioria da população do Pará se mostrou esclarecida e recusou, com sobra, a fragmentação do Pará em três estados. Seriam criados Carajás e Tapajós.
Se você não sabe do que estamos falando, sugiro a leitura dos artigos “Carajás e Tapajós poderão “receber visita” do Vivendocidade” e “A Divisão do Pará” publicados aqui mesmo no site.
O que o paraense entendeu é que a divisão iria criar 3 estados pobres, dependentes da Federação, sem falar no aumento considerável de gastos públicos com a infinidade de cargos que seriam criados. A resposta da população foi clara, direta e definitiva.

Agora, o que o povo do Pará precisa é pensar muito na hora da eleição, principalmente quando for escolher os senadores. Neste caso, nenhum estado brasileiro é prejudicado em Brasília, visto que cada unidade da federação tem 3 senadores representantes. Cobrem dos seus.
E para aqueles que acham que a votação expressiva pela separação (mais de 90% em cada uma delas), em Marabá e Santarém, cidades que seriam as capitais dos novos estados, significa alguma coisa, eu digo NÃO. Não significa nada. Alias, o significado único, que não requer do leitor nem prática, tampouco habilidade, é que era óbvio que as principais interessadas acreditassem, iludidas por seus políticos, que a fragmentação seria a melhor saída para o descaso e falta de responsabilidade dos próprios políticos. Eles só não admitiam isso.
A fragmentação não é a melhor saída. Nunca será!