No próximo dia 11 de dezembro os eleitores do Pará vão decidir se dividem (ou fragmentam) o Estado em três. Pará, Tapajós e Carajás podem figurar em breve nos livros de Geografia.
Mas para nós não basta ler as notícias “oficiais” sobre o assunto. Queremos discussão de verdade e dar voz a quem pode dar uma visão mais próxima da realidade. Desta forma, pedimos a ajuda de um paraense que vive diariamente o clima do plebiscito e que tem ativa participação política na capital, Belém. Além de tudo, é um crítico que merece ser ouvido por nós do Vivendocidade.

Em uma reunião só permitida pelos novos tempos, Eu (@adcarva) e Carlos Filho (@gaho) aqui em São Paulo, o João Santana (@joaosantana) em Recife e o Flávio Miranda (@Fra_Miranda_) em Belém, fizemos a nossa mesa redonda sobre o assunto. Na redação, o placar é de 3×0 contra a divisão. A única ressalva é apontada por Santana, que costuma “ser favorável a qualquer iniciativa de autodeterminação dos povos”, mas preocupa-se com o fato da criação de três estados pobres e extremamente violentado por políticos locais.
Abaixo, a entrevista com Miranda sobre a divisão do Pará.
É gozado como sempre começamos as frases com “é gozado”, não porque seja uma palavra diferente, que denote vários sentidos, mas justamente porque nos lembra de que as pessoas tendem a ser rotineiras.
Rotina, longe de ser algo ruim, é necessária para desenvolvimento das atividades e do trabalho, pois ajuda a criar regras, definir etapas e toda uma metodologia que, se bem planejada, pode e vai maximizar seus ganhos, quem sabe até mesmo seu lucro.
Ela só se torna ruim por uma razão principal: se utilizada demasiado, o que no meio dos jogadores de RPG e games em geral também é conhecido por “by the book”.

Uma pessoa by the book é basicamente aquela que segue as regras acima de qualquer suspeita, mais do que isso, que as tem como limitadoras de suas atitudes e sem as quais se perde no meio das atividades, não conseguindo cumprir o combinado.
Por ser uma característica considerada negativa na maioria dos entendimentos, as pessoas tendem a ficar a margem das coisas, quase como se fossem eles os errados por, não parar antes da faixa, jogar papel no chão, colar nas provas, e por aí vai…
Nossa pressa diária da grande cidade aumenta as chances de sermos tolerantes com esses regulamentos, e antes que nos demos conta, tomamos parte do coro de pessoas que considera esses pequenos delitos coisas bobas. Só que não são.
Se todo mundo se desse conta disso, as coisas estariam bem melhores…
(…e a formação da Escola de Chicago)
Para avançar a ciência social praticada no Brasil temos que entender como a sociologia evoluiu no mundo e nada melhor do que estabelecer um olhar no caminho adotado pelos americanos nesse campo. E lá acompanhar a contribuição fundamental da Escola de Chicago – afinal ela se tornou uma referência. A sociologia nos Estados Unidos surgiu com um caráter duplo, ou seja, como uma ciência prática voltada para a ação e para as reformas sociais e como uma ciência sistemática voltada para a explicação da realidade social global através de categorias gerais. Abordando esse assunto continuo minha contribuição ao site “Vivendocidade”.
A sociologia americana teve um início precoce, mais isolado. Em 1754 já era dada a primeira instrução sobre “Fins e Usos da Sociedade” no Colégio de Filadélfia e, 40 anos depois, em 1794, houve um curso de “Humanidades” no Colégio de Colúmbia, cujo catálogo se pareceu bastante com os das classes elementares de sociologia adotados um século mais tarde.

Nos EUA as ciências sociais avançaram bastante nas últimas décadas do século XIX até chegar ao apogeu na Escola de Sociologia de Chicago (1915-1940). O Departamento de Sociologia de Chicago começou a se projetar no início da década de 1910 e rapidamente tornou-se o seu principal centro de estudos e de investigação sociológica.
Na história da sociologia americana destacam-se seis “pais fundadores” que são: Willian Graham Sumner, Lester Frank Ward, Franklin Henry Giddings, Charles Horton Cooley, Edward Allworth Ross e Albion Woodbury Small.