E Deus disse: “Haja preguiça!”


Muito interessante a maneira que as pessoas estão vivendo ultimamente. Isto porque a loucura do imediatismo das grandes metrópoles tomou conta de todas as mentes, inclusive da minha, até os deuses são imediatos, as igrejas que o digam.

Dias atrás viajei com alguns familiares até uma cidadezinha do interior no sul de Minas Gerais e percebi a grande diferença na população local, alguns hábitos logo me chamaram atenção. Fomos conversar com o juiz da Comarca da cidade – rolo de família pelo jeito, e só existe uma. Fomos informados que o juiz só chegaria após o meio dia. Pensamos: bom, uns dez minutinhos não vão nos custar nada. Em seguida o funcionário local nos sugeriu que o bom era almoçarmos primeiro, porque “o Doutor costuma demorar um pouco”, ficarmos sem opção de espera, o jeito foi garantir o estômago.

Começamos a procurar um restaurante com uma boa comidinha para aliviar a tensão – nessas horas comer é a melhor solução. Bom, encontramos apenas dois restaurantes, um pertinho do outro; engraçado que o garçom foi logo falando que o preço do concorrente era igual, e era mesmo. Como dizem que a primeira impressão é a que fica, almoçamos no primeiro restaurante.

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Aquela calma já estava me incomodando, a pressa logo passou pela minha cabeça, estou lenta demais, pensei no celular para conectar com o mundo real, – é, porque diante de tanta calma tentei segurar o pânico – vai que o dia não termina neste lugar e a calma é a única diversão. A correria tomou conta da minha cabeça, comecei a rezar: procurei internet no celular, tentei o twitter, e nada, fui para a caixa de mensagens pior, ninguém se lembrou de mim, pelo menos naquele dia. Que loucura!

Percebi que o imediatismo era o meu dono e para não morrer pagã, procurei uma igreja, não foi difícil de encontrar, como diz o mineiro, esticando os olhos, “fica logo ali”, também vazia, o silêncio daquele local foi quebrado pelos meus passos.

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Consciência Negra pra quê?


Hoje é o Dia da Consciência Negra, e para algumas cidades, também um feriado. Fazendo um breve resgate contextual, diz-se que esta data representa muito mais o movimento negro por lembrar a morte de um dos seus maiores líderes, Zumbi dos Palmares, morto em 1695.

Particularmente, sou obrigado a discordar dessa afirmação, já que independente do dia, existe pouca coisa a ser comemorado, uma vez que desde os tempos do império, os de descendência negra (ou seja, todo mundo) deixaram de ser escravos de maneira objetiva (comercial), para serem escravos de maneira subjetiva.

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Isso porque a sociedade da época, fortemente influenciada por padrões europeus, tinha um conceito de trabalho e liberdade muito bem definido, que podemos resumir basicamente: “eu sou rico, posso mandar, e por isso sou servido”.

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Os clássicos da religião e o nosso tempo 4/4


Ao longo destes artigos sobre pensamento religioso, vimos como se baseia o raciocínio do francês Émile Durkheim, do alemão Max Weber, do francês Pierre Bourdieu e do austríaco Peter L. Berger.

Finalmente abordarei a contribuição nesse campo do estudo desenvolvido por Antônio Flávio Pierucci no livro “O desencantamento do mundo: todos os passos do conceito em Max Weber”. Para ele o desencantamento do mundo, na medida em que vem definido tecnicamente como desmagificação da atitude ou mentalidade religiosa, é um resultado e produto da profecia, e é também fator explicativo do desenvolvimento sui generis do racionalismo ocidental, ao mesmo tempo em que é, ele mesmo, um processo histórico de desenvolvimento.

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Nesta obra Pierucci está empenhado em mostrar como a aparente proliferação de significados do termo “desencantamento” esconde um conceito construído com rigor e dotado de sentido bem definido e que nela despontam duas teses: de que o termo vai muito mais fundo do que a vaga noção alusiva a alguma perda ou mal-estar subjetivo, onde estamos diante de um conceito que faz parte de uma teoria maior e que foi construído para ajudar a explicar o mundo, não para lamentá-lo; e de que o conceito não se encontra inteiriço em todos os pontos e em todos os momentos da obra de Weber.

À luz desses cinco autores concluo que é a eterna busca da salvação que move este grandioso interesse pela religião e torna esse tema tão atual e debatido.