Simular países, de maneira geral, é uma das atividades mais antigas que o ser humano conhece. Afinal de contas, desde que saímos da floresta e decidimos viver em grupos, tentamos da melhor maneira possível nos organizar e decidir aquilo que é melhor para o grupo, como se fosse apenas uma unidade.
Desde a época dos jogos de guerra, e do advento do Dungeon & Dragons (e consequentemente todos os RPG que conhecemos), as pessoas tomaram o costume de, em grupo, simular reinos e governos, com diplomacias próprias, parlamentos estruturados, e até mesmo, leis escritas que são devidamente aprovadas, democraticamente ou não, de acordo com o estilo da simulação do estado-nação.
Essa brincadeira, onde para fins históricos, chamaremos de laboratório prático de ciências sociais e políticas (criatividade é tudo), é conhecida pelos seus membros como micronacionalismo.
E seja através de cartas, encontros físicos ou mais recentemente, com as listas de discussão, fóruns e redes sociais, a primeira coisa que o participante aprende a fazer é escrever uma constituição.
Mais do que escrever, aprende a estruturar seus tópicos, definindo de maneira clara o objetivo de cada um deles e seu uso dentro daquela simulação de sociedade.
Aparentemente Excelentíssimo Senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) faltou a essa aula, ou quem sabe, se tivesse brincado de ser micronacionalista, não estaria na mídia por um projeto de emenda constitucional tão difuso como o protocolado esta semana, que trata de incluir a internet como um dos direitos sociais de todos os brasileiros, ao lado da educação, saúde, alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, e finalmente, a assistência aos desamparados.
Agora nos perguntamos, o acesso à internet é de fato um assunto que tem a mesma importância quando moradia e saúde?
Do nosso lado podemos dizer que mais uma vez dão importância à ferramenta por ela própria, como se sozinha é capaz de decidir e resolver as coisas. É a mesma coisa que culpar o martelo por ter amassado o dedo, e não o fulano que o manuseava.
Ainda mais se nos lembrarmos de que nossa “moderna” e “bela” constituição já tem mais de 20 anos, e que o texto em si foi inspirado na carta imediatamente anterior à do golpe militar, de 1946 que pasme, é quase uma cópia da constituição alemã da República de Weimar (1919-1933).
Mas são muitas divagações em cima de uma emenda, ainda mais se nos lembrarmos da legislatura passada, onde o mesmo senador do DF, vulgo Cristovam Buarque, conseguiu aprovar neste mesmo artigo, essa tal da felicidade.
Quer dizer, eles vão tirar a felicidade e incluir a internet…
Ah, que saudade do absolutismo!
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